Ana (nome fictício) tinha 43 anos e era solteira. Apesar de doméstica, era bastante endinheirada, com um "pé-de-meia" de milhares de contos. Tinha, no entanto, curiosidade em saber como seriam as suas finanças no futuro. Um dia, através de um colega num curso de informática, passou a frequentar consultas num "astrólogo financeiro". Apaixonou-se, mas em vez de achar o príncipe encantado encontrou um homem que a burlou em 60 mil euros e a enxovalhou publicamente, divulgando fotografias de actos sexuais.
O astrólogo começou por enganar a cliente ao dizer-lhe que, nas cartas, via que "as vidas de ambos estavam unidas". Apesar de casado, passou a convidá-la a sair, fazia-lhe confidências sobre a vida privada e daí à promessa de casamento foi um passo.
Começou por pedir a Ana mil contos (cinco mil euros). A quantia seria, supostamente, para acelerar o processo de divórcio e apressar o casório de ambos. Apresentando-se o indivíduo aparentemente "sério, culto e carinhoso", a mulher passou-lhe mesmo para as mãos mil contos, depois mais mil e, por fim, mais dez mil contos (50 mil euros). Todo o dinheiro destinar-se-ia a pagar dívidas e a cancelar um empréstimo sobre a casa com que vivia com a ainda esposa.
A vítima emprestou, até porque o casamento estava já marcado e o "astrólogo" lhe garantia o empréstimo através de uma hipoteca sobre o apartamento. Só que chegou o dia em que o "noivo" lhe pediu mais oito mil contos (40 mil euros).
Câmara no lugar do rádio
Antes disso, porém, o futuro "marido" guardara um trunfo na manga. Numa saída de carro, colocou no lugar do auto-rádio uma câmara oculta. Depois, conduziu o encontro de forma a que a "noiva" lhe fizesse sexo oral. As imagens ficaram nítidas e era possível reconhecer a identidade da mulher.
Foi já na posse destas imagens que insistiu no pedido de mais oito mil contos. A namorada respondeu-lhe que mais dinheiro não tinha e disse-lhe, até, que estava a necessitar do que lhe tinha entregue. Um dia depois, o astrólogo pediu à noiva para com ele se encontrar. Deu-lhe um envelope que a vítima só abriu em casa. Surpresa total em vez de dinheiro, eram as fotos do acto de sexo oral. Tentou o contacto, mas não conseguiu. Só passados dois dias é que voltam a falar. É o momento em que o noivo lhe faz a derradeira chantagem: "As fotografias são para o caso de me acontecer alguma coisa. Arranja-me mais oito mil contos". Se não lhe arranjasse o dinheiro, as imagens seriam espalhadas por Sintra. Foi o que veio a acontecer. Os vizinhos reconheceram-na, por fotos nas caixas de correio e espalhadas na rua. Cheia de vergonha, só lhe restou denunciar o caso à Polícia.
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