Mais de 110 mil pessoas visitaram a Feira Nacional da Agricultura que ontem terminou em Santarém. Os organizadores dizem que foi um sucesso, mas no dia em que fizeram o balanço, não pouparam críticas à Câmara, presidida por Moita Flores (PSD), que, pela primeira vez, decidiu organizar nos mesmos dias do certame, um arraial popular, com concertos gratuitos e tasquinhas abertas a toda a população.
"Continuamos sem perceber a atitude" da autarquia que "detêm 20% do Centro Nacional de Exposições (CNEMA)", afirmou Luís Mira, um dos administradores, admitindo que o arraial popular "trouxe graves prejuízos à feira", porque "fez concorrência".
"Esgotamos todas as possibilidades de entendimento", garantiu o administrador do CNEMA, salientando que todos os eventos são agendados com grande antecedência.
João Machado, presidente do CNEMA e da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), principal accionista do Centro, defendeu uma "análise séria" deste assunto, que deverá ser feita na próxima reunião do concelho de administração do CNEMA. "Sentimos muito a concorrência da feira da cidade", admitiu o responsável acusando a autarquia de ter "falhado todos os compromissos".
Segundo os responsáveis são as pessoas de Santarém que mais visitam a feira ao final da tarde e à noite. A verdade é que segundo os dados apurados, o número de visitantes decresceu significativamente a estas horas do dia, com a realização do arraial popular, a cerca de 700 metros do CNEMA.
Mesmo assim, os número deste ano são semelhantes aos do ano anterior, garante João Machado, que classificou de "sucesso" o modelo do certame que vem sendo testado há cerca de dois anos. Um "grande êxito", na opinião do responsável da CAP, foram as conversas de agricultura, que durante cinco dias e nos 16 seminários, juntou cerca de 1800 pessoas. "Este será um modelo para continuar", garantiu.
O 1º Salão Nacional do Azeite, uma das novidades da edição deste ano, teve "grande adesão do público" e correspondeu às expectativas dos organizadores. O mesmo aconteceu com o VI Festival Nacional do Vinho, este ano marcado pelo aumento do número de expositores (55).
Segundo João Machado, "a ideia é continuar a apostar na mostra, prova e venda de produtos, procurando desta forma atrair mais consumidores". É que segundo revelou, "os expositores ficaram bastante satisfeitos com a procura".
Para além dos espectáculos musicais, dos concursos de animais, novilhadas e largadas diárias, o certame contou também com "a maior feira taurina de Portugal". Durante os nove dias, a praça de touros do CNEMA recebeu cavaleiros de renome e juntou inúmeros amantes da lide.
A segurança e a limpeza do recinto foram também destacadas pelos organizadores, que se mostraram orgulhosos com o trabalho feito.