Construção está mais cara devido a melhores salários
Alexandra Figueira
Os salários dos trabalhadores da construção civil são os principais responsáveis pelo aumento do custo de construção de casas novas no continente, nos últimos anos. Estes profissionais, por norma com remunerações muito baixas, têm vindo a ganhar poder de compra, já que os seus salários têm aumentado mais do que a inflação, pelo menos de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). O preço de construir casas novas, contudo, não aumentou tanto, já que a segunda grande despesa - com materiais - está a crescer a um ritmo muito menor. Na prática, construir uma casa nova custava em Abril mais 20% do que no ano 2000 - um valor que corresponde à inflação acumulada deste essa altura, ou seja, ao normal aumento do custo de vida.
Nos últimos sete anos, os salários aumentaram 31%, uma subida acompanhada pelo agravamento de "apenas" 9% do custo dos materiais. No cômputo final, por isso, o custo global de construir uma moradia ou apartamento agravou-se em 20% - sensivelmente o mesmo do que a inflação. Ou seja, o agravamento dos preços limitou-se a acompanhar a subida do custo de vida.
O mesmo aconteceu no preço de venda às famílias. Quando se olha para o valor da avaliação que a banca faz dos imóveis sempre que alguém pede um empréstimo para comprar habitação (o único dado estatístico do preço da habitação existente), vê-se que as casas estão mais caras, sim, mas só na medida em que construí-las também custa mais. Ou seja, é certo que o preço das moradias e apartamentos novos tem vindo a aumentar, mas isso acontece porque construí-los é, também, mais caro e não porque o lucro dos vendedores esteja a engordar.
Reparações sobem
Não é só construir de novo que está mais caro. Também reparar e fazer manutenção de rotina em habitações está a encarecer. Em Abril, o preço aumentou 3% face ao mesmo mês do ano passado e o Norte foi a região mais penalizada. Aqui, a variação homóloga atingiu os 3,5%, o valor mais alto do país e que compara com os 3,2% do Centro, os 2,6% de Lisboa e Vale do Tejo ou os 0,6% do Algarve.
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