Na fachada de um dos edifícios da Praça da Ribeira, quatro enormes bandeiras azuis e brancas dos Super Dragões demarcam o território estamos no centro Histórico do Porto. Depois das 20 horas ainda é dia, mas começa a ser difícil descobrir um metro quadrado livre entre as milhares de pessoas que já enchem aquela que é conhecida como a Praça do Cubo. Ainda que a entrada em cena da principal atracção da festa - DJ Tiesto, considerado por três vezes consecutivas o melhor do mundo - esteja aprazada para horas mais tardias (entre as 23 horas e a meia-noite). A discoteca ar livre organizada pela Sagres, em colaboração com a Associação de Bares da Zona Histórica do Porto, serviu como verdadeira antecipação da festa de S. João.
E também serviu para levar mais cedo até aquelas bandas Joaquim Paulo, da Maia. "Vim trazer os miúdos que queriam ver os DJ. À Ribeira só costumo vir no S. João ou quando preciso de tratar algum assunto", confessou.
Renato, Sérgio e Sérgio Daniel, que "de vez em quando" passam pelo Centro Histórico do Porto, é que não quiseram perder a actuação do DJ Tiesto. "Conheço o trabalho dele para aí há dois anos", diz o primeiro. "Deviam fazer isto mais vezes e com mais DJ", observa o segundo. "A festa ainda está a aquecer", atalha, sorridente, o terceiro.
Na "pista" de dança há muitos braços no ar. Os corpos movimentam-se ao som da batida. O corpulento cão preto é o único ser que se alheia do ritmo e da euforia geral. Só quando encontra outro canídeo - o husky saiu disparado de uma das portas da Rua de S. João - dá sinais de alguma animação. Coisa efémera, porém, que o barulho pareceu ser demasiado para os ouvidos caninos.
A meia dúzia de passos, Hélder Polónio segura um copo de cerveja e saúda a iniciativa. Gosta de ver a multidão no centro da cidade "Faz falta ao Porto que as pessoas saiam, em massa, para a rua. O facto da festa ser gratuita contribuiu para chamar mais gente".
Tamanha era a multidão que o trânsito começou a complicar-se. Nem o DJ Tiesto conseguiu, conforme estava programado, ir jantar à Ribeira. Teve de se contentar com uma refeição no hotel. Do mal o menos do restaurante Presuntisco, onde deveria sentar-se à mesa, levou um conjunto "100 anos" de Vinho do Porto (quatro garrafas com 40, 30, 20 e 10 anos).
Para descontentamento do morador António Freitas, estava prometida festa até às seis da manhã "No S. João ainda aceito. É uma excepção. Mas hoje não tem jeito nenhum. Ninguém dorme."
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