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"Só pode fazer-se música por paixão"

Acantora espanhola de flamenco Estrella Morente apresenta o seu mais recente álbum, "Mujeres", sexta-feira, na Casa da Música no Porto e, sábado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Estrella foi a voz a de "Volver", o filme de Pedro Almodovar, protagonizado por Penélope Cruz.

Para Almodóvar, Estrella é "maravilhosa", tendo sublinhado à imprensa espanhola "Esta sim é uma verdadeira artista".

A cantora Carmen Liñares referindo-se a Estrella, não poupou elogios e declarou "Esta é que nos vai arrumar a todas".

Estrella Morente, de 26 anos, ri-se dos elogios e afirma que "mais vale seguir cantando, deixando dizer o que dizem, pois o importante é saber fazer música e tentar sempre fazer melhor, e para isso há que trabalhar duro".

Estrella sabe do que fala, filha de um músico e de uma bailarina, respectivamente o maestro Enrique Morente e Aurora Carbonell, é neta do guitarrista de flamenco "Montoyita" que regularmente a acompanha.

"A música está na família mas nunca senti esse peso, foi uma opção clara e natural, só assim pode fazer-se música por paixão", disse Estrella, referindo que familiares seus seguem outros caminhos musicais, "longe do flamenco".

O seu pai é o seu produtor musical, e reconhecendo ser "árduo trabalhar com ele e haver discussões que são naturais" é para si "muito mais seguro".

"Ele aponta-me um caminho, na maioria das ocasiões ele tem razão, é um caminho claro, e sem dúvidas, nestas coisas da alma, não nos podemos enganar", disse a intérprete à Lusa.

Estrella mostra-se segura do que pretende fazer "Trabalhar duro para conseguir fazer levantar as pessoas das cadeiras quando me ouvem".

Afirmando o seu "amor ao flamenco clássico", nomeadamente ao "cante jondo", Estrella quer que o seu canto reflicta "uma linguagem contemporânea e actual, respeitando sempre as bases clássicas", pois se assim não fosse descaracterizava-se.

"Venho da música livre, aceito influências, faço participações em discos de outros músicos que não de flamenco mas para mim é o flamenco e, muito importante, respeitar a base", afirmou.

Esse respeito pelas bases e o tradicional passa pela sua "ligação constante aos músicos e cantores tradicionais, nomeadamente "aos grupos que estudam a tradição, a cultivam, e preservam e prática mais tradicional do flamenco.

"Eles sabem que gosto deles, que os defendo e luto por eles", acrescentou.

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