Serviços podem salvar o Vale do Ave
"Precisamos de mudar a organização do trabalho, a base de competitividade e trabalhar a sério na educação e nas ligações internacionais para distribuir". Augusto Mateus, antigo ministro da Economia, defendeu, ontem, em Santo Tirso, que é imperativo fazer uma aposta consistente na área dos serviços para que a região do Vale do Ave se torne mais competitiva. "Se nós só fizermos produtos, isso não paga o trabalho", sustentou.
O economista e ex-ministro de um Governo liderado por António Guterres foi o orador convidado da conferência "As fronteiras da Europa e o seu papel no mundo", que encerrou um ciclo sobre "Consciência Europeia O presente e o futuro para o Vale do Ave", organizado pela Associação das Colectividades Têxteis Europeias (ACTE) em parceria com a Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE).
"Nós temos as melhores fábricas de têxteis-lar, mas se continuarmos a fazer o que temos feito, vamos ser derrotados", considerou o economista, realçando que "o problema não é a produção, mas a distribuição". Acrescentou "Se nós temos um produto bom, hoje em dia esse produto é mundial. Se não nos mexermos, outros mexem-se por nós".
Ana Paula Faria, da Universidade do Minho, acredita que o sector têxtil "tem capacidade para competir no mercado internacional" mas, "para que as empresas consigam ter esta presença é importante que se aliem às universidades". A gestão dos turnos nas unidades fabris também foi alvo de observações. "Temos, do ponto de vista social, uma coisa absolutamente estúpida, que é pensar que o têxtil não tem laboração contínua. Não há laboração contínua nos hospitais e nas refinarias de petróleo?", questionou Augusto Mateus.
O presidente da autarquia e da AMAVE, Castro Fernandes, sublinhou que "os indicadores de avaliação económica e social apontam situações alarmantes", e lembrou que "o índice de desemprego [na região do Ave] é o dobro da média nacional". AAC
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