Invisuais visitam Museu do Traje através do tacto
Miguel Rodrigues
No Museu do Traje é visível uma placa que indica a proibição de tocar nas peças em exposição. Ontem, foi o próprio museu que incentivou a quebra dessa regra. Tudo porque pela primeira vez naquele espaço foi organizada uma visita para invisuais que, numa visita guiada e através do toque, conseguiram perceber o ciclo do linho. "Nunca tinha sentido, realmente, passam imagens de trajes antigos de que tenho alguma percepção, mas com o contacto com o material consegui perceber a produção das peças e dos trajes", disse Helena Santos, residente em Nelas, Viseu. A visitante fazia parte de um grupo que se encontra de férias em Viana do Castelo, numa iniciativa da ACAPO viseense. "Foi este grupo que nos lançou o desafio de promover a visita. Já estávamos a pensar em avançar com as visitas mas este foi um passo fundamental para se avançar com estas iniciativas", referiu um dos responsáveis do museu, João Alpoim.Percorrendo peça a peça, os invisuais foram apercebendo-se sobre a maquinaria artesanal usada na produção do linho, sentindo-o nas suas diversas formas até ao produto final. Peça a peça, as informações dadas eram intercaladas pelo toque que complementavam o que verbalmente era transmitido. Delfina Oliveira vai "trabalhando" com rendas, mas, ontem, ficou a "perceber como se trabalha o linho". Também António Realino estava satisfeito com a iniciativa "Deveriam ser todos os museus a fazer isto", disse à saída.João Alpoim fez um balanço positivo da iniciativa: "Quebrámos as regras, deixámos as pessoas tocar nas peças, mas estavam acompanhadas e são pessoas com uma sensibilidade extrema com as mãos, não sendo, por isso, motivo de preocupação. A experiência foi tão positiva que vamos avançar com workshops que tínhamos projectado". O responsável admitiu que foi "um enorme desafio para o museu, mas foi possível perceber que se consegue transmitir a realidade àqueles cidadãos, com a elaboração de um programa específico em que se permita o contacto e a interactividade com a própria exposição". A ideia é, em colaboração com a ACAPO de Viana do Castelo, promover visitas mensais para que, em cada uma, os invisuais aprendam algo sobre os trajes e tradições da região e " eventualmente, virem a produzir peças". A ideia é acarinhada pela responsável da delegação da ACAPO: "Temos que aperfeiçoar algumas coisas, mas o importante é começar e é satisfatório saber que o museu abrirá as portas realmente a todo o público, não excluindo os invisuais, que são cidadãos com plenas capacidades".
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