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Antiga lixeira vai abrir amanhã como ecomuseu

Rui Bondoso

Era uma lixeira, agora é um ecomuseu. A estrutura, construída pedra a pedra por artesãos e mão de obra locais, fica à entrada de Vila Chã de Sá, arredores de Viseu, e é inaugurada amanhã à noite.

No espaço, há representações de uma memória ligada à produção de bens colectivos que geravam riqueza e faziam a economia mexer. Exemplos? O moinho de água, o lagar de azeite e de vinho, o forno comunitário, as plantações de árvores de fruto, o vinhedo, o poço de água com a cegonha, a cozinha beirã ou os instrumentos agrícolas de antanho.

José Ernesto Pereira da Silva, professor e presidente da Junta de Freguesia de Vila Chã de Sá, importou de França a ideia do ecomuseu. E há três anos começou a construi-lo, candidatando a obra a um programa municipal.

"O terreno era uma lixeira, mas isso não foi impeditivo. Pelo contrário, tornou-se até estimulante e um desafio transformar aquele espaço em algo positivo para a comunidade, muito especialmente para as escolas, que podem promover visitas de estudo, ensinando às crianças como se fazia o pão, o azeite ou o vinho", explica o autarca.

Tudo original

Muito do material utilizado para a edificação do ecomuseu, foi doado por residentes, naturais ou gente amiga da freguesia. A pedra utilizada na construção de muros e do casario, é toda proveniente da região. Tal como os acessórios do moinho, dos lagares ou os instrumentos agrícolas. "É tudo original", garante José Ernesto, que recorreu aos melhores artesãos e trabalhadores da pedra para edificar o ecomuseu.

"O trabalho de reconstrução e instalação de um moinho tem de ser feito por pessoal capaz e especializado. E pô-lo em funcionamento exige muitos conhecimentos. Por isso, procurei os melhores artesãos", lembra o autarca.

Poupar dinheiro

Mas, muito do trabalho foi feito por administração directa. "O pessoal da junta de freguesia empenhou-se e a obra ficou mais barata. Se a tivéssemos adjudicado a uma empresa de construção civil, tinha ficado muito mais onerosa para os cofres da junta. E tenho também a certeza que não seria tão bem construída, nem ficaria tão genuína", sublinha o presidente da junta de freguesia de Vila Chã de Sá.

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