Digressão pelas 7 maravilhas
A ideia "é excelente" e "vai contribuir de forma excepcional para a valorização do nosso património cultural aos olhos dos portugueses". Quem o garante é Freitas do Amaral, presidente da Comissão de Honra do projecto "Sete Maravilhas de Portugal", que admitiu ser esta "a mais importante e mediática das acções de valorização e promoção do património português".
Freitas do Amaral, que ontem esteve na Igreja da Graça, em Santarém, para o lançamento da digressão pelos 21 monumentos candidatos a serem uma das "Sete maravilhas de Portugal", explicou que, apesar do vastíssimo património existente no país, a verdade é que "nunca houve uma declaração oficial das sete maravilhas", o que torna este projecto "interessante e excelente".
Aos autarcas dos 18 concelhos onde estão localizados os 21 monumentos postos à votação dos portugueses e às diversas personalidades ligadas à cultura, o responsável admitiu que "não foi fácil a escolha", referindo-se depois aos critérios de selecção que, entre outros itens, passaram pela beleza estética do monumento e pelo seu significado histórico. "Os que estão (na lista) merecem e nem todos os que estão mereceriam", frisou.
Em Julho próximo, no dia 7, Portugal saberá quais são "os sete monumentos que o país considera mais representativos", sustentou Freitas do Amaral, recordando que, nesse mesmo dia, no Estádio da Luz, em Lisboa, o mundo saberá quais serão as novas sete maravilhas do planeta entre as 21 seleccionadas e das quais não consta nenhum monumento português.
E foi, aliás, a partir do facto de não constar a Torre de Belém na lista das 21 maravilhas postas a votação, que Portugal decidiu eleger as suas sete maravilhas.
O projecto dado a conhecer em Dezembro último, contou já com a adesão de 100 mil portugueses que através da Internet ou via SMS já fizeram a sua escolha. E para que todos possam conhecer os monumentos e escolher em consciência, arrancará, no próximo dia 27, em Lisboa, a digressão nacional que irá passar por 18 concelhos, de norte a sul do país, e que terminará a 10 de Junho em Sagres.
Para Andreia Galvão, vice-presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), "o património é cada vez mais um recurso", já que "a Europa e o Mundo perceberam que o turismo não é só praia". A responsável defende que "o património tem de ir ao encontro das pessoas", pelo que revelou a intenção do IPPAR em promover iniciativas junto dos mais novos. "É importante começar a trabalhar para ganhar uma nova geração que cuide e valorize o património", realçou.
Luís Padrão, presidente do Turismo de Portugal, anunciou um programa nacional de visitas de estudo aos 21 monumentos seleccionados. Durante a sua intervenção lamentou que os portugueses não procurem mais o seu país para turismo, que admitiu ser uma prioridade "estimular o turismo interno".
Autarquias envolvidas
Os 21 monumentos localizam-se em Lisboa, Sintra, Mafra, Óbidos, Vila Nova da Barquinha, Alcobaça, Tomar, Batalha, Coimbra, Conimbriga, Porto, Guimarães, Vila Real, Marvão, Vila Voçosa, Évora, Reguengo de Monsaraz e Sagres
Restauração
As receitas obtidas em Portugal serão aplicadas na restauração de um monumento nacional.
Maravilhas mundiais
A par da votação portuguesa decorre a escolha das sete maravilhas do mundo. A votação internacional pretende angariar 50% do montante para a reconstrução do Buda Gigante de Bamiyan, no Afeganistão.