"É preciso mexer o Porto. Está muito morto!". As palavras são de Marina Costa, responsável pelo edifício Artes em Partes, situado na Rua de Miguel Bombarda, no Porto. O local, que existe há oito anos, abriga uma série de espaços galerias de arte, lojas de discos ou de mobiliário, entre outros. A preocupação com a estética é nítida. Para Marina Costa, na cidade, "faz falta uma oferta diurna de coisas diferentes, que não sejam centros comerciais".
Conceito semelhante apresenta a casa Era uma vez no Porto, aberta há pouco mais de um ano, na Rua do Passeio Alegre. Cada divisão acolhe um negócio. Mas Nélson Pedrosa, um dos mentores do projecto - essencialmente nocturno -, garante que há "sinergia" entre os vários espaços. Ali, é possível repousar no bar (com vista para o rio), comprar vestuário 'retro' ou mesmo ir ao cabeleireiro.
Para o antigo estudante de Gestão, o aparecimento de "vários negócios num só espaço físico" é "um fenómeno urbano". "Conheço várias pessoas que gostariam de ter espaços idênticos". Aveiro e Coimbra são cidades onde já se assiste a iniciativas semelhantes. E "cada vez há mais".
Marina Costa, que também se ocupa da loja de mobiliário 'vintage' e decoração Arranha-Céus, entende que este tipo de espaços, com um "ambiente mais intimista e pessoal, acaba por ser uma forma de comércio tradicional". E exemplifica "Aqui, é possível emprestar um móvel para as pessoas depois verem se gostam", algo a que "não estão nada habituadas".
Nélson Pedrosa também realça a mais-valia de criar um clima acolhedor "As pessoas dizem, com muita frequência, que aqui se sentem em casa. E era isso que eu pretendia".
Salão de cabeleireiro
X-Pressions
Localizado no Era uma vez no Porto, este não é um salão convencional. "Uma das coisas mais interessantes para as pessoas é poderem cortar o cabelo à noite", assegura Luísa Seixas, responsável pelo local. "É frequente saírem do edifício com um corte de cabelo novo, sem estarem a contar".
Casa de chá e loja oriental Rota do Chá
O espaço, inserido no Artes em Partes, prima pelos tons quentes e é intimista, acolhedor. Aí , encontramos a estudante de Direito Solange Nóbrega, de 18 anos "Às vezes, visito as galerias de arte [do edifício], mas interessa-me mais este ambiente. O espaço é agradável, diferente".