Passageiros à chuva e ao frio nas novas paragens da STCP
Reis Pinto, Artur Machado
Ainda mal "refeitos" do impacto que a nova rede da STCP está a provocar nas suas rotinas diárias, os utentes dos transportes colectivos "descobrem", agora, que são obrigados a esperar pelos autocarros à chuva e ao vento, pois uma parte significativa das novas paragens não tem abrigos. Protestam contra a empresa, mas aquele equipamento é considerado mobiliário urbano e, portanto, compete às autarquias instalá-los. A Câmara do Porto já decidiu, na sua última reunião, por proposta da CDU, fazer um levantamento de todas as situações, num trabalho que se deverá prolongar por quatro meses.
A fila estendia-se, longa e impaciente, pelo largo passeio fronteiro à estação de S. Bento e as críticas começaram a chover.
"Óptimos. Estes abrigos são do melhor que há, principalmente quando chove e está vento", ironizou um passageiro, protegido apenas pela paragem tamanho "XXL" da Praça de Almeida Garret.
Passeio largo
Joaquim Evaristo, por seu lado, prefere direccionar as críticas e olha para o edifício da STCP, que fica junto à paragem.
"Isto não tem sentido. O passeio está muito largo e podia perfeitamente ter um abrigo, principalmente numa paragem que serve tantas carreiras. Que mudassem a rede, mas só quando os passageiros tivessem todas as condições", aconselhou Joaquim Evaristo.
Nos Lóios, outro dos pontos chave da nova rede da STCP, João Baptista, reformado, lamentou que "tenham mudado as paragens para o passeio mas se tenham esquecido dos abrigos. E bem falta fazem, pois partem daqui dez carreiras". E assinalou, pelo caricato, os dois abrigos instalados em frente ao cemitério de Paranhos, que a ninguém servem, pois ali já não passam autocarros.
"Mudaram as paragens para a Rua do Dr. Roberto Frias, em frente à Faculdade de Economia, mas abrigos nem vê-los. Não se entende. É o problema de pagarmos adiantado. Acabamos por ser sempre mal servidos", concluiu João Baptista.
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