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Polícia Judiciária investigaloja que vende drogas leves

João Paulo Costa

Polícia Judiciária investiga

loja que vende drogas leves

Polícia Judiciária (PJ) de Aveiro abriu um inquérito para apurar a legalidade da ervanária especializada em drogas leves que ontem abriu em Aveiro. Apesar do proprietário do "Cogumelo Mágico", Carlos Marabuto, assegurar que comercializa "drogas legais", a PJ quer saber se há algum crime, devendo brevemente ir à loja recolher produtos que serão analisados pelos técnicos do laboratório policial.

Marabuto está tranquilo. "Todos os produtos que vendemos são legais. Há mais de um ano que estamos a trabalhar neste negócio com a empresa holandesa fornecedora e com uma advogada. Analisamos a tabela de plantas proibidas e nada do que aqui está foge ao legislado", assegura quem já investiu 25 mil euros.

A loja, localizada no Centro Comercial Oita, na principal avenida de Aveiro, foi licenciada pela Câmara, como "ervanária especializada", confirmou o JN junto da Autarquia. Marabuto demorou mais de um ano a obter a licença camarária. Confessa que nunca disse aos funcionários da Autarquia que ia vender drogas leves, "mas só por segredo empresarial", explica.

A "Cogumelo Mágico, a tua loja de drogas legais", como diz a publicidade, é a primeira loja do género a abrir na Europa, fora das fronteiras holandesas, onde a venda de drogas leves é legal. Ontem, ao final da manhã, já três pessoas tinham entrado. Compraram o produto mais barato (5,5 euros), aquele que Carlos acredita irá liderar as vendas a erva sálvia, ou erva maria, como é conhecida. Vende-se pronta a ser consumida ou em extractos para fazer chá. "É uma erva alucinogénia, mas legal desde a plantação até à venda e consumo", diz o empresário. Para além da erva sálvia, Carlos vende cactos cuja constituição natural contém mescalina (substância alucinogénia), kits para cultivo de cogumelos mágicos alucinogénios (o produto mais caro, 60 euros), cápsulas de produtos naturais e chá de erva ayahuasca, que também provocam alucinações.

Carlos não admite que pode estar a contribuir para o aumento do consumo de drogas, preferindo colocar o tom na alternativa. "Estou a dar a hipótese de trocarem drogas sintéticas por drogas naturais, que fazem menos mal", lembrando que os menores de 18 anos não entram na loja.

O empresário está preparado para a contestação, mas diz que será passageira. E acredita que o negócio vai ser um sucesso.

As drogas leves cedo marcaram a vida de Carlos Marabuto. Aos 17 anos, foi expulso de casa por estar a fumar um "charro". Quatro anos antes, tinha deixado a escola para ser alfaiate. Trabalhou na Casa Paris, onde aprendeu a arte, que mais tarde lhe serviu para trabalhar com artistas em San Sebastian (Espanha), para onde emigrou em 1981. O objectivo era França, mas a falta de documentos obrigou-o a tentar entrar clandestinamente. Foi apanhado três vezes pelas autoridades francesas. Em 1985, foi viver para uma quinta biológica em Navarra, integrando uma comunidade que vivia da produção e venda de produtos hortícolas. Seguiu-se Pamplona, onde abriu um bar junto à fonte de Santa Cecília, procurada por turistas australianos, durante as festas de S. Firmino. "Nessa semana, ganhava 1000 contos por dia, a vender bebidas e petiscos", conta. Regressou em 2002 a Portugal, abriu uma sex-shop. Só lhe faltava uma ervanária de drogas leves.

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