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Dan Brown provoca novo tumulto no meio editorial

Sérgio Almeida

Acrítica norte-americana, histriónica como sempre, fala no "livro mais aguardado da História". Exageros mediáticos à parte, o sucessor de "O Código Da Vinci" está a provocar já uma verdadeira vertigem no meio editorial, com uma torrente de especulações habilmente alimentadas a silêncio pelo próprio Dan Brown e pela eficiente 'entourage' que o acompanha.

A agitação é ainda mais surpreendente pelo facto de desconhecer-se em absoluto a data de publicação de "The Solomon key", cuja previsível tradução para português será "A chave de Salomão". Anunciada para Outubro do ano passado, a obra tem visto o seu lançamento sucessivamente adiado - em parte, devido ao processo judicial de plágio em que o autor se viu envolvido, e do qual foi ilibado -, mas é certo que até final do ano haverá novidades.

Menos de três meses depois da publicação na língua original, a Bertrand, detentora dos direitos para o nosso país, já deverá ter a postos a edição portuguesa de um livro que, previsivelmente, irá pulverizar todos os recordes relativos a uma primeira edição em Portugal - actualmente, a cifra é de 100 mil e só três autores a atingiram JK Rowling, Saramago e o próprio Dan Brown.

Mais ainda do que a subtil campanha de marketing e a quantidade de artigos na Imprensa, o principal indicador da expectativa que rodeia a obra que encerra a trilogia iniciada com "Anjos e demónios" e "O Código Da Vinci" são os livros já publicados sobre o livro.

Em "Guide to Solomon key", Greg Taylor leva por diante uma pesquisa - embora a palavra "especulação" talvez fosse mais justa... - que procura antecipar o argumento da obra, partindo das pistas deixadas pelo autor na Internet. A saber a Maçonaria norte-americana, os elementos esotéricos da arquitectura de Washington e o olho direito de Mona Lisa. Ao contrário dos livros de Brown, o guia não prima pela simplicidade, já que Greg Taylor disserta sobre a criptologia e a relação entre elementos díspares.

O "efeito Dan Brown" pode ser medido também pela quantidade de clones gerados, ou seja, pela infinidade de escritores que, mesmo não o admitindo, seguem à risca o modelo narrativo do autor de "Fortaleza digital".

Ontem, nas páginas do "The New York Times", Janet Maslin glosava de forma brilhante com a flagrante falta de originalidade dos escritores esperançados em seguir as pisadas de Brown, traçando um manual para qualquer candidato a 'best-seller' "Pegue num tesouro sagrado. Acrescente uma conspiração secreta. Escolha um nome conhecido por académicos - Dante, Poe, Wordsworth, Arquimedes, Machiavelli, Shakespeare, os Romanovs, Vlad, o Empalador, o que for - e insira-o numa história que possa acomodar tanto pistolas Glock quanto o Santo Graal. Se sobrar espaço para os templários ou amostras de DNA de figuras bíblicas, traga-os também, com certeza".

Se, nos últimos dois anos, as livrarias portuguesas acolheram a chegada de dezenas de títulos (in)directamente relacionados com o imaginário ficcional do popular autor, tudo indica que o número deverá subir, para desespero dos leitores que entendem que a febre em redor dos 'thrillers' religiosos já foi longe demais.

A lista de sucedâneos por editar no nosso país inclui "The Alexandria link" (de Steve Berry), "The Machiavelli covenant", "The mosaic crimes", "The unholy grail" e "Napoleon's pyramids", mas, com a aproximação do lançamento de "The Solomon key", é previsível que esses títulos passem a figurar também nas livrarias nacionais.

Certa é a edição, pela Bertrand, já na próxima semana, do romance "Santuário", uma narrativa do autor espanhol I. Biggi que junta versões alternativas dos Evangelhos, o desaparecimento de uma Ordem e a interpretação como chave de um capítulo crucial da História de Espanha.

Se as semelhanças com a obra-mãe não são mera coincidência, tal como acontece com a generalidade dos livros citados, nem por isso Dan Brown deixará de agradecer a publicidade gratuita que lhe é facultada...

Barreira de um milhão

de livros ultrapassada

Um milhão, dezanove mil e quinhentos e dezoito exemplares. Esta é a cifra mais actualizada dos livros vendidos por Dan Brown em Portugal. O número representa uma parcela ínfima no universo 'browniano', mas, para um meio editorial limitado como o nosso, com tiragens inferiores a dois mil livros , é um fenómeno sem paralelo. A tal ponto que o ex-professor de História é já o autor mais vendido no historial da Bertrand, casa livreira fundada em 1732.

"O Código" é o líder incontestado de vendas

Quase metade (502.672 livros) dos exemplares vendidos por Brown em Portugal dizem respeito a "O Código Da Vinci". Seguem-se "Anjos e demónios" (230.712) e "Conspiração" (175.692).

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