Activista da Global Witness
detida no enclave de Cabinda
Os três advogados da activista britânica Sarah Jill Wikes, da Global Witness, detida anteontem em Cabinda e acusada de espionagem, foram impedidos pelo procurador adjunto André Gomes Manuel de assistir ao seu interrogatório. A Global Witness, organização de defesa dos direitos humanos, exigiu entretanto a sua "libertação imediata". O tribunal estabeleceu uma fiança de 180 mil kwanzas (1800 euros). No entanto, a acusada vai continuar presa até amanhã porque ontem a tesouraria estava encerrada e hoje é feriado.
André Gomes Manuel, que assume interinamente o cargo de procurador em Cabinda, recusou-se a aceitar a procuração de Sarah Jill Wikes que nomeava David Mendes, Francisco Luemba e Martinho Nombo como seus defensores, e preferiu solicitar a presença de um contínuo da instituição para defender oficiosamente a activista.
"Perante aquele comportamento, nós, os três advogados defensores, resolvemos abandonar o tribunal, porque o procurador adjunto desconhece as mais elementares regras processuais", contou Martinho Nombo.
A activista desta organização não governamental, com sede em Londres e Washington, foi detida no Hotel Macosso, em Cabinda, onde chegara na sexta-feira, por 14 agentes da Direcção de Investigação Criminal. De acordo com a Global Witness, Sarah estava em Cabinda a "fazer aquilo que faz em todo o Mundo", ou seja, reunir-se com vários representantes da sociedade civil, recolher informações e ouvir opiniões. De acordo com os advogados, a prisão onde está Sarah Wikes nem sequer uma cama ou um colchão tem.
Defesa da transparência
A Global Witness é uma organização não governamental, com sede em Londres e Washington, que há quase 15 anos luta pela transparência na gestão dos recursos naturais, para a campanha internacional "Publique o que se Paga", e tem mantido contactos com o Governo de Luanda com vista à integração de Angola nos mecanismos de controlo previstos pela Iniciativa para a Transparên cia nas Indústrias Extractivas (EITI). Uma extensa pesquisa realizada pela Global Witness demonstrou que os esquemas de corrupção em Angola não se limitaram à época da guerra, estando a persistir hoje com nova face agora os empréstimos destinados à "reconstrução nacional" estão a ser massivamente desviados pelo "Estado-sombra" angolano.
Por seu lado, as empresas que exploram o petróleo na costa angolana estão a ser, segundo a ONG, proibidas pelo Governo de tornarem públicos os seus orçamentos.
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