Director
José Leite Pereira

Director Adjunto
Alfredo Leite

Subdirector
Paulo Ferreira
 

Prisões - talvez goste de saber

P. João Gonçalves, Coordenador nac. de Pastoral das Cadeias

Aquestão das cadeias não diz só respeito a alguns; não só porque "lá todos temos uma telha", mas porque, de facto, já lá estamos na pessoa de cada recluso ele é um outro eu; não é uma sombra de mim ou uma hipótese de mim. Por isso, tenho de saber o que se passa comigo: é direito e é dever.

Um recluso tem sentimentos, tem coração, tem família, tem passado, tem sonhos… que é o que todos temos; ele é pessoa, que é o que nós somos também. Dá vontade de dizer que, quando vou à cadeia, vou ver-me a mim mesmo; é um outro lado de mim que lá está, por deras do sofrimento, da dor, da saudade, do isolamento. Na cadeia estão pessoas! Lá vive gente! Não é o facto de a comunicação estar dificultada que dá o direito a muita gente de se alienar, fazendo de conta que as grades dividem os mundos, e que quem lá está que "pague bem o mal que praticou".

Encontramos pessoas a dizer que a sociedade se entende mal com as cadeias; outras, é isso mesmo o que sentem, vivem e deixam passar como opinião. Enquanto houver gente alienada desta realidade, estamos a cavar, cada vez mais fundo, o fosso entre o mundo de dentro e o mundo de fora, que nada resolve; bem pelo contrário.

Talvez goste de saber - ou não - que no nosso país há cerca de treze mil pessoas detidas, mais propriamente 12 684, das quais 93% homens, e 7% mulheres, espalhadas pelos cinquenta e dois estabelecimentos prisionais; que estes estabelecimentos para a execução das medidas privativas de liberdade, dependentes do Ministério da Justiça, compreendem estabelecimentos regionais, centrais e especiais; os regionais destinam-se ao internamento de reclusos em regime de prisão preventiva e ao cumprimento de penas privativas de liberdade até seis meses; os centrais, de medidas de duração superior a seis meses; os especiais, destinam-se ao internamento de reclusos que careçam de tratamento específico, como por exemplo Jovens adultos, mulheres, hospitais prisionais, hospitais psiquiátricos… Há os de segurança máxima, os fechados, os abertos e os mistos.

Quem vai para a uma prisão? Não vai quem quer… porque ninguém quer! Vai quem cometeu um ilícito, ou supostamente cometeu, e a quem um juiz entendeu aplicar essa última medida como preventiva, ou em cumprimento de uma pena correspondente ao que constituiu prova em sede de julgamento.

Sabe-se que cerca de 56%, à altura da detenção, estavam sem emprego, que 45% estariam doentes e que cerca de 50% eram toxicodependentes; os estrangeiros são, sensivelmente, 15% da totalidade dos reclusos entre nós. Por certo não é difícil perceber por que se vai para a cadeia, quando dois milhões de portugueses vivem em situação de pobreza, e que a Europa dos Quinze, nos primeiros quatro anos deste século, gerou mais de um milhão de pobres por cada ano, segundo a Rede Europeia Antipobreza informou.

Em Portugal, a média de Reclusos é de 135 por cada cem mil habitantes; média igual à da Inglaterra e País de Gales, seguida da Espanha, com 125, França e Itália, com 100, ou Alemanha, com 91, falando da Europa; há médias bem mais elevadas, como por exemplo nos Estados Unidos da América, com 686, Rússia, com 628, ou 400 na África do Sul e 137 no Brasil; dados em fontes do ano de 2002, portanto à espera de actualização; é só uma amostra simbólica, para darmos conta de que, em cem mil habitantes, há um número sempre elevado de pessoas a sofrer penas de reclusão. É verdade que estes números só nos dizem alguma coisa de significativo quando um desses reclusos é o filho, o marido, o pai, a mãe, a irmão, um amigo de todos os dias…

Que fazer? Serão as prisões remédio para os males da sociedade? Serão uma fatalidade, sem fim à vista? Entre nós, vamos verificando que a média de reincidência ultrapassa os 50% para além de se saber que a cadeia é, geralmente, um mau começo. E continuo a fazer perguntas que prevenção se faz na família, na escola, nos meios de Comunicação Social? Ouvi a um entendido nestas matérias que, em Portugal, quem faz uma boa prevenção do crime é a Igreja, com o ensinamento dos Mandamentos, que recomendam não roubar, não matar, honrar pai e mãe, e por aí adiante… Eu acrescentaria que é preciso prevenir toda a espécie de conflitos, prevenir a solidão, mesmo em meio juvenil, prevenir a marginalidade; promover a cultura e o ensino - cerca de 10% são analfabetos, e 40% têm apenas o primeiro ciclo do Ensino Básico. Isto não é tudo, bem se sabe, há sempre outras razões que conduzem pessoas à prisão, mas não se pode ficar indiferente, perante estas realidades. Até porque, fazer a inserção ou a reinserção é muito complicado, e este é outro capítulo que deixa muitas preocupações…

Prisões? Talvez tenha gostado de saber…

Partilhar
 [?]
 
 











Multimédia
Cidadão Repórter
Notícia do Dia


 

Últimas
+Lidas
+Comentadas
+Pesquisadas
 

Jogos Ao Vivo

Serviços


TEMPO Dados fornecidos pelo Weather Channel
  • n/d
  • 9ºC
  • HOJE
  • 17ºC
  • 12ºC
  • AMANHÃ

 

Twitter HOME
FACEBOOK HOME
Galeria JN
Entre palavras
Passatempo Muro de Berlim


Controlinveste Media SGPS, S.A. Todos os direitos reservados
Termos de Uso e Política de Privacidade |  Ficha Técnica |  Quem Somos |  Contactos |  Webmaster