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Bebé de Gaia morreu por asfixia mas não há sinais de maus-tratos

António Soares, Nuno Miguel Maia e Nuno Silva

Os primeiros resultados da autópsia à menina de 11 meses que anteontem deu entrada morta no Centro Hospitalar de Gaia apontam para que a morte tenha acontecido por asfixia, motivada por causas naturais ou acidentais, soube o JN. Porém, os exames não foram conclusivos, pelo que serão realizados mais testes. A hipótese de terem existido maus- -tratos é cada vez mais ténue, embora a Polícia Judiciária (PJ) continue a investigar ocaso.

As circunstâncias em que os pais, de 21 e 22 anos de idade, se aperceberam de que algo não estava bem com a criança vão também ficando mais claras, em função do relato que os próprios fizeram a familiares e que terão posteriormente confirmado à PJ.

Os pais, que residem na urbanização de Vila d'Este, terão contado que encontraram a criança morta no berço ao final da manhã de domingo. A bebé terá sido amamentada cerca das 6 horas da madrugada, sendo a última vez que foi vista com vida. A criança deu entrada às 12,30 horas no hospital, situado a pouco mais de 500 metros da casa, e o óbito foi registado cinco minutos depois.

Ferimentos no rosto da criança terão levantado a suspeita de maus-tratos aos médicos e ao elemento da GNR que presta serviço na unidade de saúde, tendo sido avisado o Ministério Público e chamada a PJ ao local.

As suspeitas levantaram grande estranheza nos vizinhos que defendem empenhadamente o casal. O pai da menina trabalha e a mãe está sem emprego, dedicando, segundo os moradores, o seu tempo aos dois filhos, a bebé e um menino de três anos - que agora ficará ao cuidado dos avós, mediante o acordo expresso dos pais e da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Gaia. O casal morava há pouco tempo na urbanização, mas, segundo os vizinhos, estava bem integrado e não lhe eram conhecidas atitudes agressivas com as crianças.

Os primeiros resultados da autópsia (ainda não existe um relatório final) também não parecem confirmar a possibilidade de maus-tratos. Terão sido inclusivamente efectuadas radiografias ao corpo, que não terão revelado traumatismos. Por explicar estará apenas uma lesão no rosto da criança parecida com uma queimadura.

"Com essa idade [11 meses], e sem sinais de maus-tratos nem de infecção, uma morte por asfixia pode ter acontecido por duas razões síndroma da morte súbita (ver caixa) ou asfixia com uma almofada ou algum tecido. Regra geral, na autópsia não é possível apurar se foi uma ou outra situação", explica ao JN Eduardo Gonçalves, médico-pediatra. "Se a morte se dever a qualquer outra situação, uma asfixia por vómito, por exemplo, é detectável na autópsia", reforça o especialista.

A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, sabe o JN, está a aguardar os resultados da autópsia e o desenrolar da investigação, para depois actuar em caso de ocorrência de crime ou negligência.

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