Ponte de D. Maria e dignidade
Nuno Grande, Médico e professor universitário
As circunstâncias que rodeiam o processo de recuperação e reconversão da Ponte D. Maria Pia traduzem um desafio à dignidade de uma geração que assiste à progressiva destruição deste património.
A responsabilidade da geração que assume os destinos das comunidades envolvidas neste processo é tanto maior quanto este monumento é património da Humanidade e tem um significado ímpar na obra do génio criador de Gustavo Eiffel, que deste modo ensaiou a arquitectura de ferro que o notabilizou.
De facto, existem documentos que comprovam ter sido a construção da Ponte de D. Maria que permitiu desenvolver estudos conducentes à possibilidade de construção de outras pontes noutros países europeus e que possibilitou também a elaboração da construção da torre que é símbolo de Paris.
A assinatura de um protocolo da Refer com as câmaras do Porto e Gaia para promover a utilização desta ponte, após adaptação, como pedonal, foi realizada por acção empenhada do então governador civil do Porto, dr. Manuel Moreira, e das vereações das câmaras do Porto e Gaia.
Nasceu uma grande esperança em todos os que anseiam por ver recuperada a dignidade de um povo que é herdeiro deste património e não tem conseguido corresponder a esta honra. Contudo, nada tem acontecido, o que torna legítima a inquietação dos que se preocupam com a identidade cultural da nossa comunidade.
De facto, é imperativa a necessidade de desenvolver a proposta de adaptação da ponte D. Maria que foi apresentada pelo arquitecto Pedro Ramalho e que contemplava a possibilidade de organizar um centro de documentação relativo a tudo o que se relaciona com este monumento e assim contribuir para a criação de um museu Eiffel que prestasse homenagem a este génio criador que deixou um filho sepultado em Gaia, onde faleceu.
Nuno Grande escreve no JN, quinzenalmente, às quintas-feiras
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