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Aluno agredido andava a ser ameaçado há dias

Inês Schreck

João Pedro começou a ser ameaçado no início da semana. O aluno de 14 anos da Escola Básica 2,3 de Rio Tinto nº1 (Gondomar) foi avisado de que lhe fariam "uma espera". Na segunda-feira conseguiu escapar, na terça também. Mas, anteontem, não teve força para fugir a um grupo de cerca de dez jovens que o perseguiu à saída da escola. Foi agredido por quatro. Uma pancada na cabeça, alegadamente com uma muleta, deixou-o estendido no chão, enquanto os agressores se puseram em fuga.

"Os actos de violência, os furtos e os assaltos têm vindo a aumentar dentro e fora das escolas de Rio Tinto", admite Marco Martins, presidente da Junta de Freguesia. A tal ponto que, um dia antes de João Pedro Mota ter sido agredido, a Junta, as associações de pais, os conselhos executivos dos agrupamentos de Rio Tinto e a PSP estiveram reunidos para delinear medidas de prevenção que ajudem a diminuir os casos de violência."Para já agendámos a realização de quatro sessões de sensibilização para pais e alunos, nas quais pretendemos dar conselhos utéis sobre segurança, quer na escola, quer no caminho casa-escola", adiantou, ao JN, Marco Martins.

Jovens de bairros

Foi, precisamente, nesse caminho que João Pedro foi agredido. "Quando os viu ainda mudou de direcção, mas foi apanhado", contou, ao JN, a irmã do aluno, Joana Mota, depois de sair, ontem de manhã, do Instituto de Medicina Legal do Porto, onde João Pedro realizou exames para serem anexados ao processo.

Ao que o JN apurou, o inquérito foi remetido para o Ministério Público de Gondomar. Alguns dos jovens que terão estado envolvidos na agressão já foram identificados pelas autoridades. São oriundos de bairros das proximidades e têm entre 15 e 19 anos.

"Fui ameaçado várias vezes. Disseram que me fariam uma espera, mas ontem esconderam-se, não os vi quando estava a sair da escola", contou João Pedro, sem adiantar muitos pormenores sobre as razões da agressão. O aluno está convencido que foi agredido por uma muleta. "Não me lembro bem", disse.

Ficou com ferimentos ligeiros na cabeça, tendo recebido alta pouco depois de, anteontem à tarde, dar entrada no Hospital de S. João. Ontem, já frequentou as aulas da parte da tarde. Ao JN, o aluno garantiu desconhecer os agressores. "Só de vista, de estarem sempre à volta da escola e sei que são desordeiros, mais nada".

De acordo com fonte policiais, na origem das ameaças e da agressão estarão razões menores. A mesma opinião tem a direcção da escola. O vice-presidente do Conselho Executivo, Aurélio Terra, acredita que tudo começou com uma "quezília" no recinto escolar. Depois da zanga, o outro aluno terá chamado os amigos, de fora da escola, para agredir João Pedro.

"Polícia estava avisada"

"A PSP estava articulada connosco e sabia que isto podia acontecer. Aliás, na segunda-feira foram detidos para identificação alguns dos jovens", referiu Aurélio Terra. O vice-presidente do Conselho Executivo disse ainda que o trabalho da PSP foi dificultado porque a agressão "não ocorreu à porta da escola, mas um pouco mais longe".

Agora, segundo o pai do aluno, João Pedro foi aconselhado pela Polícia a entrar e sair da escola sempre acompanhado por um adulto. "Tão cedo não vai poder ir sozinho", rematou a irmã.

'Acto isolado' na escola

Na EB2,3 de Rio Tinto, o Conselho Executivo acredita que a agressão ao aluno João Pedro Mota foi "um acto isolado". O vice-presidente da direcção, Aurélio Terra, apela à calma, garantindo que, apesar do aparato de anteontem, "não há uma violência generalizada" naquele estabelecimento de ensino. "O aluno já está hoje [ontem] na escola", afirmou.

Segundo o responsável, a direcção esteve sempre a par do que estava a acontecer. Soube das ameaças a João Pedro e partilhou a informação com os agentes da PSP, afectos ao programa Escola Segura.

No início da semana, as autoridades identificaram alguns dos jovens. "São todos de fora da escola", garantiu Aurélio Terra, convencido de que aqueles que concretizaram a ameaça não foram os mesmos que a fizeram. "Suponho que não eram os mesmos pela atitude de arrependimento que os rapazes tiveram quando foram identificados, mas não posso garantir nada", alegou o vice-presidente do Conselho Executivo da escola. Na terça-feira, um dia antes de João Pedro ser agredido, o pai do aluno esteve na escola. "Fui ao Conselho Executivo e disseram-me que não se passava nada. Ontem ligaram-me a dizer que o meu filho tinha sido agredido. Quando lá cheguei ainda estava no chão à espera da ambulância", contou Serafim Mota. "Não conseguimos andar sossegados", desabafou.

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