Centenas de juízes vigiados no mandato de Berlusconi
Mais de 200 juízes europeus foram investigados pelos serviços secretos italianos entre 2001 e 2006, período em Silvio Berlusconi presidiu ao Governo de Roma. A notícia, avançada na última edição do jornal espanhol "El Pais", adianta que o objectivo da iniciativa consistia em "pressionar os magistrados e organizar campanhas de descrédito contra eles".
De acordo com a mesma fonte, membros da oposição italiana e jornalistas foram também investigados pelo Serviço de Informação Militar Italiano (SIMI).
O "El Pais" conta, ainda, que há quase um ano, quando Prodi substituiu Berlusconi, foi descoberto que o SIMI tinha alugado, na clandestinidade, um apartamento em Roma, onde uma equipa especial, dirigida pelo agente Pio Pompa, acumulava informação sobre centenas de cidadãos. O director do SIMI, Nicoló Pollari, colocado numa situação delicadíssima pela sua eventual participação no sequestro do imã egípcio Abu Omar pela CIA, foi entretanto enviado como assessor para a Presidência do Governo.
203 juízes espiados
Segundo os dados publicados pelo jornal espanhol, foram espiados 203 juízes, 47 dos quais eram italianos e os restantes de vários países europeus. Quase todos são membros da Medel, uma associação profissional de juízes progressistas da União Europeia.
O Conselho Superior de Magistratura (CSM), órgão judicial máximo em Itália, já analisou os relatórios encontrados no apartamento de Roma e emitiu uma dura nota de condenação. "A intenção era provocar a perda de credibilidade de quem [referindo-se aos juízes] trabalhava em processos particularmente delicados", afirma o CSM. Para esta entidade, a obrigação do SIMI era "velar pela integridade do Estado e não garantir a estabilidade de um determinado Governo".
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