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Militar da GNR suicida-seao ser descoberto pela PJ

Carlos Varela

Militar da GNR suicida-se

ao ser descoberto pela PJ

Um militar da GNR fazia parte do grupo desmantelado pela Polícia Judiciária (PJ), que integrava também dois elementos da PSP, detidos em prisão preventiva. Aquele militar só não foi detido porque se suicidou, aparentemente na sequência da investigação da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB) da PJ.

Os agentes foram conduzidos à prisão de Santarém e, segundo a DCCB, responsável pelas investigações iniciadas há mais de um ano, além dos dois elementos policiais há mais três arguidos, desta feita civis, que estavam em prisão preventiva desde o Verão do ano passado.

A DCCB aponta que o grupo se dedicava, há vários anos, à prática de múltiplos crimes de rapto e sequestro. A polícia salienta, ainda, que a sua estrutura tinha um elevado grau de organização e disciplina interna e as vítimas eram seleccionadas e vigiadas "durante longos e sistemáticos períodos".

As suspeitas de actividade criminosa, de acordo com a PJ, estão relacionadas com a extorsão a grupos criminosos, em particular ligados ao tráfico de droga, factos que não eram participados pelas vítimas às autoridades por terem "receio de represálias e, também, para que não averiguassem o seu modo de vida".

As acções daquele grupo organizado eram feitas recorrendo à "violência física e psicológica". Segundo adiantou, ao JN, fonte da DCCB, não há qualquer relação com a actividade de segurança a casas de alterne ou discotecas nem com disputas nesta actividade nocturna.

Da mesma forma, a Judiciária sustenta que não há igualmente qualquer ligação ao caso de Alfredo Morais, um antigo polícia que está acusado no âmbito caso "Passerelle".

A detenção dos três civis ocorreu no Verão do ano passado, na sequência de uma acção de extorsão com agressão, em Sesimbra, que conduziu a investigações por parte da DCCB da PJ, que desde o início assumiu o inquérito.

Os três indivíduos têm residência na Margem Sul - no Barreiro, Baixa da Banheira e Corroios - e terão entre si laços familiares. Foi, aliás, na sequência da detenção daqueles suspeitos que foram desencadeadas as posteriores acções policiais.

O próximo alvo da DCCB era o militar da GNR, um indivíduo com cerca de 30 anos, que estava colocado no Posto da GNR da Trafaria.

Aquele militar, no entanto, já estivera em serviço no Posto da Baixa da Banheira, onde há alguns anos respondera e fora condenado num processo por furto de material. O equipamento estava dentro do Posto à guarda da GNR e fora retirado, por segurança, de um carro que tinha sido furtado e fora recuperado para ser entregue ao seu proprietário.

O militar foi depois transferido para a Trafaria, onde acabou por se suicidar, numa altura coincidente com as investigações da Polícia Judiciária em torno do grupo de que faria parte.

Os indivíduos detidos - a quem terão sido apreendidos crachás falsos - usavam muitas vezes o subterfúgio de serem agentes e militares para conseguirem os seus fins. Outros dos elementos de prova consistem em matrículas falsas com dispositivos de fixação rápida, o que facilitaria a actuação do grupo com vista a atingir as vítimas e os alvos. Treze armas de fogo foram também apreendidas, mas muitas delas estavam legais e eram propriedade dos agentes, um deles caçador de caça grossa. Não foram encontrados sinais exteriores de riqueza, em particular na casa do agente que estava colocado na Esquadra de Investigação Criminal do Barreiro.

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