São mais de 100 concertos a decorrer em oito cidades localizadas em diferentes pontos do Mundo ao longo de 24 horas consecutivas. Hoje, carismático dia 7 do 7º mês do ano que acaba em 7, acontece o Live Earth. A mega-operação artística, mediática e ecológica pretende atingir um efeito massivo. Em concreto uma audiência de 2 biliões de pessoas.
Londres, Nova Iorque, Hamburgo, Joanesburgo, Rio de Janeiro, Sydney, Tóquio e Xangai são as oito cidades onde decorrem os concertos. Lisboa não figura entre as eleitas, mas também entra nesta rota como um dos 7 mil parceiros locais do acontecimento. Hoje, entre as 17 horas e as 2 horas da madrugada, o Pavilhão Atlântico acolhe um total de 17 actuações dos Amigos do Live Earth. Os bilhetes custam zero euros e serão entregues a partir das 16 horas.
Boss AC, Teresa Salgueiro, Sérgio Godinho, David Fonseca, Blind Zero, Xutos & Pontapés, Ala dos Namorados e Sam The Kid são alguns dos nomes do cartaz. "É urgente tomar medidas e mostrar ao Mundo as catástrofes que estão a abalar o Planeta. Todos nós temos o dever de alertar consciências", considera Zé Pedro, guitarrista dos Xutos, na página web especial da RTP, televisão portuguesa oficial do Live Earth. "É um grande passo, que pode vir a ser decisivo", afirma, por sua vez, a vocalista dos Madredeus.
A cobertura mediática é impressionante. É feita à escala mundial e não apenas pela televisão. Todos os suportes estão envolvidos. Aliás, o Live Earth será transmitido em directo a partir do endereço www.liveearth.msn.com. Em Portugal, a RTP tem quatro emissões em directo online da RTP1, RTP Internacional, Antena 1 e Antena 3.
O objectivo é fazer do Live Earth o gatilho de um movimento global para combater a crise climática do Planeta. A campanha é conduzida pela Alliance for Climate Protection, presidida por Al Gore, e várias organizações e convencer as pessoas, as organizações e os governos a lutar contra o aquecimento global.
O Live Earth é um projecto da campanha SOS que, através de uma acção intensiva em todos os meios de comunicação, procura dar as ferramentas necessárias às pessoas para aderir à causa climática.
As estrelas da causa
Inspirado no impacto massivo de eventos como o Live 8, do qual foi produtor executivo, Kevin Wall criou este projecto. Wallé um produtor musical que também fundou a Control Room (produtora e distribuidora de concertos em vários suportes) e é o vice-presidente da uma firma de consultadoria na Internet composta por 3 mil funcionários. O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, surge aqui como parceiro do Live Earth e presidente da Alliance for Climate Protection. O livro - que deu um filme nomeado para dois Oscars - "Uma verdade inconveniente", assim como o 'best-seller' "Earth in balance ecology and the human spirit" são da sua autoria.
A estes dois protagonistas, juntam-se as estrelas capazes de mover 2 biliões de pessoas. Entre as centenas de artistas envolvidas na operação, destaquem-se, em Nova Iorque, os concertos dos Police, o trio recém-reunido que havia participado também no Live Aid (1985) e no Live 8 (2005); a formação renovada dos Smashing Pumpkins; e ainda Kanye West, Alicia Keys e Dave Mathews Band. O cartaz de Londres é igualmente forte Madonna, Beastie Boys, Genesis, Red Hot Chili Peppers, Bloc Party, Metallica.
Chris Cornell, Enrique Iglesias e Katie Melua estão em Hamburgo; Lenny Kravitz, Macy Gray e Pharrell Williams actuam no Rio de Janeiro; Joss Stone e UB 40 participam em Joanesburgo; Sarah Brightman estará em Xangai; Michael Nyman e Linkin Park estão em Tóquio e Jack Johnson actua a partir de Sydney.
Entretanto, o concerto do Rio de Janeiro, que chegou a ser cancelado por falta de condições de segurança, vai decorrer tal como previsto, sendo que foram asseguradas as medidas para zelar pela segurança das 700 mil pessoas esperadas na Praia de Copacabana.
Todas as infra-estruturas onde decorrem os concertos do Live Earth foram construídas por uma equipa de engenheiros que tiveram em linha de conta o contexto natural dos locais e a gestão de energia. Esta equipa do US Green Building Council tentou assim conseguir o menor impacto ambiental e o menor gasto energético possível. Uma questão de princípio fazer campanha contra o aquecimento global, evitando a sua própria contribuição para tal. Mas nem o recurso a contentores feitos de materiais biodegradáveis convenceram a PETA - People for the Ethical Treatment of Animals. Estes activistas pelos direitos dos animais enviaram uma carta ao responsável pelos espaços comerciais do New Jersey Giants Stadium, reprovando a venda de carne num concerto de benificência ambiente, como sendo uma contradição. John Picard, responsável pela equipa de sustentabilidade do evento, disse estar disposto a falar com a PETA, mas alerta que um concerto para uma multidão é sempre um concerto para uma multidão...