Sindicalista e doutor
À letra, José Leite, Pereira, Director
Há mais de 20 anos, um trabalhador deixou o seu emprego na Trofa, porque de Lisboa lhe exigiam que tomasse em mãos os destinos da maior central sindical portuguesa, a CGTP-Intersindical. O "Manel" na CGTP e o "Couto" na UGT emparceiraram anos e anos - e anos muito quentes e difíceis - com vários políticos, Governos e até presidentes, em defesa dos trabalhadores que representavam. Todos foram passando, menos eles, até que Torres Couto deixou o palco só para Manuel Carvalho da Silva. Hoje ainda, lá está ele no seu posto fiel aos seus princípios, com muitas batalhas travadas e com um saldo que ele e os seus farão mas que é seguramente positivo na lealdade com que sempre dirimiu os seus argumentos.
Há uns anos, Carvalho da Silva voltou a estudar. Completou a sua licenciatura sem nunca largar a liderança da central e ascendeu anteontem ao degrau maior da vida académica, um mês e tal depois de liderar uma greve contra o Governo. Uma greve, por sinal, com que não concordava mas que levou para a frente em respeito pela maioria dos seus. Ao chegar a doutor, Carvalho da Silva teve com ele um ex-presidente da República (Mário Soares), vários ministros do Trabalho ( três do PSD e um do PS) contra quem combateu, políticos de todos os quadrantes e, claro, sindicalistas. O ISCTE doutorou-o com distinção e louvor e todos estes amigos que com ele dividiram o palco mediático deram-lhe uma outra distinção seguramente não inferior a do respeito e amizade, apesar das diferentes escolhas.
O Doutor Manuel Carvalho da Silva continuará sempre a ser o Manel. Numa altura em que o sindicalismo recua, os seus conhecimentos académicos serão seguramente preciosos. É bem possível que, daqui para a frente, a sua vida seja mais académica e menos político-sindical. Mas será sempre a de um combatente franco e convicto, por isso mesmo credor da admiração de todos os seus concidadãos.
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