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Excursão de idosos na mira do PSD

Carlos Rui Abreu*

N o dia seguinte à eleição de António Costa como presidente da Câmara de Lisboa, o sufrágio da capital era o principal tema das conversas em Cabeceiras de Basto. Aos habitantes da pacata vila minhota não passou despercebida a presença em Lisboa dos seus conterrâneos que, à porta do Hotel Altis, faziam, em directo para as televisões, a festa da vitória.

No entanto, frases como "não sei quem ele é", "vinha numa excursão e trouxeram-me para aqui" e "deram-me uma bandeira mas nem sei para quê" ficaram a marcar os festejos socialistas e causaram estranheza em Cabeceiras. Já ontem, José Lages, um dos idosos que foi à capital, disse ao JN que foi "para dar um passeio a Fátima. Ninguém me disse que íamos a Lisboa". Já António Badim tinha a informação de que, depois de Fátima, "tínhamos um ajuntamento do PS em Lisboa". Este idoso referiu ainda que não pagou nada porque o convite foi feito pela Câmara Municipal.

A autarquia não se quis pronunciar por, alegadamente, "não ter nada a ver com o assunto". Na viagem participaram pelo menos dois presidente de junta eleitos pelo PS, com quem o JN falou em Lisboa Avelino Sousa, eleito em Vila Nune, e Armando Duro, presidente da junta de Arco de Baúlhe, que justificou a adesão das mais de 100 pessoas com o facto de estarem gratas pelo desenvolvimento do concelho, desde que o PS está no poder. China Pereira, líder da Comissão Política Concelhia do PS, desmente que tenha sido a autarquia a custear a viagem. "Foi uma iniciativa do PS e as pessoas sabiam que iam à festa do António Costa". Quanto ao envolvimento da edilidade, China Pereira entende que "é natural que as pessoas confundam devido à idade".

O líder local dos socialistas diz que apenas se limitou a responder da melhor forma a um apelo do PS nacional, para que as pessoas se associassem à festa de Lisboa. "As despesas foram custeadas pelo PS e a grande maioria das pessoas que foram são militantes", disse.

O PSD de Cabeceiras de Basto tem um entendimento diferente. A comissão política concelhia emitiu um comunicado onde considera que, "a não ser uma brincadeira de mau gosto, foi uma acção vergonhosa e de aproveitamento partidário, colocando idosos do nosso concelho como meros figurantes num acto que em nada lhes diz respeito".

A Auto-Mondinense SA, empresa de autocarros que alugou as duas viaturas, assegurou ao JN que as viagens "foram contratualizadas pelo Partido Socialista e não pela Câmara Municipal". Fonte da administração da empresa disse ainda que o serviço decorreu como previsto, "com paragem para almoço em Fátima e depois viagem para Lisboa, de onde sairiam apenas à noite".

Além de Cabeceiras, a compor a festa do PS em Lisboa estiveram também pessoas do Alandroal e de Famalicão.

*com Gina Pereira

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