Aldeia em escombros salva por festival de artes
Salomão Rodrigues
A aldeia de Trebilhadouro, Vale de Cambra, recebe, hoje, a 6.ª edição do Festival Internacional de Artes e Culturas. Durante três dias voltam a ouvir-se os sons da música tradicional e regressam os work- shops de artes. Mas a principal atracção desta edição é o autêntico estaleiro de construção civil em que Trebilhadouro está transformada, mesmo em dia de festa. Sete anos após a primeira edição, o objectivo do festival foi cumprido. A aldeia está a ser alvo de uma profunda requalificação. É a nova vida de um lugar deserto desde há 15 anos e que começa a ser procurado para segunda habitação.
Quando os cinco mil visitantes, esperados no evento, derem os primeiros passos na terra batida de acesso à aldeia vão deparar-se com um cenário inesperado. Trebilhadouro estará engalanada como se um dia de festa se tratasse. Mas as ruas estreitas estão esventradas por valas recentemente abertas onde operários instalam todo o tipo de infra-estruturas e reconstroem, pedra a pedra, muros e caminhos que, dado o seu estado de destruição, faziam duvidar que algum dia voltassem à sua forma original.
Obras em dia de festa poderão até chocar, numa primeira fase, os menos conhecedores da aldeia. Mas para os responsáveis pela organização (Rasgo - Cooperativa de Teatro e Câmara de Vale de Cambra), o cenário não podia ser mais compensador.
A autarquia colocou mãos à obra, garantido a preservação da aldeia. Foram canalizados cerca de 480 mil euros de fundos comunitários que serviram para financiar a revitalização do espaço público, qualificação dos arruamentos, aplicação de mobiliário urbano, iluminação pública e dinamização de zonas de estadia. Mas a intervenção da autarquia estende-se à vigilância das obras efectuadas pelos proprietários nas suas habitações, impedindo que alterem a traça original. "A autarquia estará atenta ao cumprimento das regras de requalificação", garante o presidente da Câmara José Bastos.
Objectivos alcançados, a organização garante festa rixa. A "borradinha", mistura de mel quente com aguardente, especialidade do festival, deverá andar de copo em copo. Mas, avisa o conhecedor da bebida, Rui Tavares, "para quem beber cinco acabou-se o festival".
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