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Hipermercados Carrefour vão operar com marca Continente

Ricardo David Lopes

Os hipermercados Carrefour vão operar em Portugal sob a marca Continente, após a conclusão da operação de compra da cadeia francesa pela Sonae Distribuição, anunciou ontem o presidente executivo do grupo nortenho. O negócio - sujeito a aprovação pela Autoridade da Concorrência (AdC) - deverá gerar dois a três mil empregos por ano, graças ao plano de expansão do número de lojas de ambas as cadeias, e vai resultar em preços mais agressivos, com ganho para os consumidores, garante Nuno Jordão.

Segundo o responsável, que falava numa conferência de imprensa em Lisboa onde confirmou o negócio de 662 milhões de euros, os 25 mil trabalhadores da Sonae e 2500 da Carrefour "serão poucos" para o crescimento nos próximos anos. O grupo de Paulo Azevedo já tinha anunciado que iria investir 200 milhões por ano até 2009 em novas lojas, enquanto a Carrefour Portugal vai juntar 11 lojas (incluindo duas em Valongo e Famalicão que já estão em construção) às 12 actualmente em funcionamento, projectos que, segundo Nuno Jordão, deverão custar 300 milhões.

Apesar de, com este negócio, a Sonae Distribuição reforçar a sua liderança de mercado em termos absolutos [ver ao lado], Nuno Jordão não considera que seja afectada a concorrência no sector, que é "muito dinâmico" e conta já com "grandes 'players'" internacionais. Para a Sonae, as sinergias de escala na logística vão ajudar a melhorar a competição com as cadeias concorrentes em relação às marcas brancas, esperando-se ainda "alocar mais verbas" para investigação e desenvolvimento de novos produtos e serviços, com ganho para os consumidores nacionais.

"Vamos ter preços mais agressivos e mais e melhores produtos e serviços", afirmou, acrescentando estar "optimista" em relação à aprovação do negócio por parte do organismo dirigido por Abel Mateus. "Fizemos o trabalho de casa", garantiu, recusando, contudo, revelar se a Sonae admite a hipótese de virem a ser aplicados "remédios" por parte da AdC, incluindo a venda de lojas ou a não abertura de novas grandes superfícies. "Esperamos que seja aprovado de forma interessante", afirmou o responsável, sublinhando que, independentemente desta operação, a Sonae estará atenta a outras oportunidades de crescimento, seja por via orgânica ou de aquisições. E a intenção de internacionalização para Espanha da Sport Zone e Worten - detidas pela Sonae Distribuição - mantém-se, afirmou.

APED aplaude negócio

Também Luís Vieira e Silva, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), não prevê "grandes entraves" por parte da AdC. "O aumento de concentração com este negócio é relativamente marginal", disse ao JN, adiantando não temer que haja "défice de concorrência" pelo facto de o líder de mercado comprar as operações da Carrefour, que ocupa o sétimo lugar no "ranking" do retalho alimentar em área de venda.

Vieira e Silva considera "positivo" que seja um grupo nacional a adquirir a cadeia francesa e antevê mesmo "mais concentrações" no futuro, tendo em conta a quantidade de projectos licenciados (400 mil metros quadrados).

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