Da arte urbana ao negócio alternativo
J. A. Souza
No primeiro e no último domingo de cada mês, o Jardim da Estrela, em Lisboa, é mais um dos espaços da cidade onde se realizam feiras a que ainda se vai chamando "altenativas". Mas se os produtos ali à disposição da eventual clientela continuam a ser feitos mais ou menos artesanalmente, e recorrendo muitas vezes à reciclagem de materiais, também é verdade que a produção dos atristas-artesãos se vai tornando repetitiva e idêntica. Um exemplo? As malas de senhora redesenhadas com material plublicitário plástico ou o eterno patcwork que resulta em almofadas ou colchas reconhecíveis à distância. Ou ainda as bonecas de trapo.
A feira do Jardim da Estrela não acrescenta nada a outras que vao nascendo e morrendo noutros pontos da cidade. Uma das bancas ontem ali representadas agrupa três artesãos que se dedicam às artes decorativas transformando peças de vidro como copos e garrafas.
Manuela Carvalho explica que o processo é simples as peças originais vão a uma mufla devidamente aquecida a 900 graus, e a garrafa que de lá sai já é uma peça derretida que guarda a memória do copo ou da garrrafa que era e que agora pode já ser, por exemplo, um cinzeiro ou uma travessa. A coisa tem tido interessados? A resposta não é conclusiva. E ontem estava muito calor e o jardim estava quase às moscas.
Ao lado, e com um implícito mote ecológico, outra banca exibe porta-moedas ou pequenops sacos utilitários, nascidos da reutilização de plásticos. O argumento ecológico esbarra nos preços pedidos.
"Arte urbana" designava inicialmente as intervençõees visuais nas cidades, designadamente os graffiti. Hoje, alargou-se claramente a um recurso laboral.
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