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Judiciária vai confrontar pais de Maddie com vestígios de sangue

Alexandra Serôdio, Marisa Rodrigues , e Nuno Miguel Maia

Divergências entre indícios recolhidos recentemente pela investigação da Polícia Judiciária (PJ) e as versões apresentadas nos depoimentos do casal McCann e respectivos amigos vão levar a novas conversas dos investigadores com os pais da menina inglesa desaparecida a 3 de Maio. Há aspectos ainda por esclarecer em toda a história e uma dúvida fundamental se tudo aconteceu como dizem os turistas ingleses, quanto à vigilância das crianças, então era quase impossível acontecer um sequestro. Daí ganhar consistência a tese da morte no apartamento.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, conversas informais da PJ e Polícia inglesa com Kate e Gerry McCann deverão acontecer mesmo antes de serem conhecidos os resultados de ADN do vestígio de sangue encontrado numa parede do quarto dos pais. Uma nova inquirição formal só irá ter lugar quando a investigação confirmar que aquela amostra pertence de facto à pequena Madeleine.

As alegadas idas ao apartamento para verificar se as crianças estavam ou não a dormir, se estas deslocações existiram realmente ou não e quem as fez são perguntas cujas respostas não têm sido consensuais.

Cães outra vez na praia

Ontem, os investigadores, com a ajuda dos dois cães "cocker spaniel" ingleses, voltaram a efectuar buscas no perímetro de terrenos contíguos à praia da Luz, em Lagos, à procura de reacções nos canídeos que apontem para a passagem de Maddie naquele local. No dia anterior, a mesma diligência foi efectuada relativamente a 10 viaturas. A vistoria mais demorada foi a uma viatura monovolume utilizada pela família McCann nos dias do desaparecimento (ou morte) da criança.

As diligências que decorreram durante a tarde de ontem, apurou o JN, não terão sido conclusivas, pelo que, nos próximos dias, os cães vão continuar a realizar buscas em perímetros já definidos pela PJ, e que não se restringem apenas à praia da Luz.

A "reviravolta" na investigação ocorreu há cerca de uma semana, quando a Polícia Judiciária decidiu repetir todos os passos da investigação, testando a eventualidade de ter ocorrido um acidente mortal no apartamento da família ou uma morte provocada.

Desta feita, sabe o JN, várias hipóteses deverão ser testadas, incluindo aquilo que possam ter visto os dois gémeos irmãos de Madeleine.

Fonte ligada às investigações explica que a hipótese de a pequena Madeleine ter sido morta "nunca foi descurada", mas admite que "ganhou agora mais força". Isto não significa, salientou, que "a PJ tenha abandonado as hipóteses de rapto ou sequestro", mas, neste momento, a possibilidade da morte "é mais forte".

"Estamos a reunir elementos que nos permitam avançar para outras diligências", explicou a mesma fonte, frisando que a cooperação com a Polícia inglesa "surgiu logo no início" deste caso "e sempre se manteve até agora".

Depois do apartamento, do jardim da casa de Murat e das 10 viaturas, os cães percorreram, ontem, alguns terrenos na praia da Luz. Áreas que tinham já sido analisadas pelos cães pisteiros da GNR, logo nos dias seguintes ao desaparecimento de Madeleine, mas que devido ao surgimento de novos factos se tornou necessário que os cães ingleses voltassem aos mesmos locais.

Investigação ainda não tem resultados das análises

A investigação conta ter no final da presente semana ou, o mais tardar, até ao princípio da próxima resultados sobre a pesquisa de ADN no vestígio de sangue encontrado numa parede do quarto dos pais de Maddie. Isto se a quantidade de resquícios biológicos - dos quais os cães ingleses deram sinal, na semana passada, de ser de cadáver - for suficiente para a análise. Tal como o JN noticiou, a amostra é bastante ténue, para o que contribuiu o facto de a zona da parede ter sido parcialmente limpa. Daí o risco de, através dessa amostra, não se saber a quem pertencia o sangue. Este dado será de importância fulcral para a PJ decidir avançar para novas inquirições formais ao casal e amigos. Sobre esta situação, os pais de Maddie recusam falar publicamente.

Mc Cann fechados em casa

Contrariamente ao que sucede há três meses e diariamente, os gémeos de dois anos, Sean e Amelie, não estiveram no infantário do Ocean Club, ontem. Kate e Gerry optaram por passar o dia em casa, já que os pais de Kate, depois de uma curta estadia, regressaram a Inglaterra.

Fotografia a pedido

Os jornalistas rondavam a vivenda que os McCann arrendaram, na procura de um registo fotográfico. A insistência foi tanta que Kate e Gerry acederam descer e subir a Rua das Flores, onde se localiza a habitação, para que o registo diário da imagem fosse recolhido.

Entrevista após suspeitas

O casal inglês tem privilegiado a Comunicação Social inglesa e evitado a portuguesa. Ontem, após um dia de recolhimento, os McCann deram uma entrevista a duas televisões britânicas. Por esclarecer está se a entrevista foi pedida pela Comunicação Social inglesa ou se os próprios pais de Madeleine a requereram para tentar evitar especulações.

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