Um segundo vestígio de sangue foi descoberto no apartamento do casal McCann pelos cães ingleses que estão a auxiliar a investigação do desaparecimento de Madeleine, apurou o JN. Esta pequena amostra junta-se a uma outra encontrada numa parede do quarto de Gerry e Kate e vem reforçar a hipótese de que a menina inglesa poderá ter sido morta naquele local. Os dois indícios, ambos encontrados em superfícies lavadas, estão ainda a ser analisados num laboratório inglês para apurar se pertencem efectivamente a Maddie.
A principal linha de investigação da Polícia Judiciária (PJ) e da polícia inglesa pressupõe a morte da criança, como confirmou, ao JN, Olegário de Sousa, porta-voz da PJ para o caso. "Houve alguns desenvolvimentos e foram obtidas pistas que poderão indiciar uma possível morte da menina".
O inspector-chefe explicou que os investigadores "estão a aguardar os resultados laboratoriais aos vestígios recolhidos " no apartamento do Ocean Club, na Praia da Luz, em Lagos, de onde a criança desapareceu a 3 de Maio. "Todas as hipóteses estão ainda em aberto e a ser investigadas, mas a possibilidade de a menina estar morta tem mais intensidade", disse ainda o porta-voz. Desta forma, apesar de declarações divergentes do casal McCann, a PJ investiga neste momento as teses de morte acidental ou homicídio.
Além dos dois vestígios enviados para Inglaterra, a PJ conta ainda com o facto de os cães "springer spaniel", cedidos pela Polícia inglesa, terem registado igualmente a presença de sangue e odor de cadáver noutros sítios com os quais o corpo da menina poderá ter contactado. Porém, nestes casos, já não terá sido possível recolher quaisquer vestígios biológicos.
Pais insistem no sequestro
"Não vamos deixar de procurar a Madeleine". A garantia foi dada ontem, de uma forma emotiva, por Gerry McCann, no final da missa rezada por um padre inglês, e que encheu por completo a pequena igreja da praia da Luz.
Antes, logo no início da celebração, Kate McCann subiu ao altar e ao microfone pediu para que todos continuassem com Madeleine no pensamento. "Faz hoje 100 dias que a minha linda e preciosa menina foi levada", começou Kate, emocionada, agradecendo depois "a todos, especialmente à comunidade da praia da Luz, pela ajuda".
A missa ficou marcada por fortes momentos emotivos. Dirigindo-se ao casal, que assistia às celebrações na primeira fila, o sacerdote britânico admitiu que "seria mais fácil para todos se Kate e Gerry se fossem embora", mas "isso não estaria certo".
Missa em inglês
A cerimónia religiosa - que terminou quando se acenderam dezenas de pequenas velas em honra de todas as crianças desaparecidas - aconteceu em inglês, dificultando o seu acompanhamento por quem nada entende desta língua.
Foi o caso de Maria de Lurdes, que há 15 anos passa férias na praia da Luz. Ontem, esta alfacinha queria assistir à missa, mas cedo desistiu da ideia.
"Não entendo nada de inglês, mas fui lá dentro da igreja e dei um beijinho à mãe da menina e disse-lhe para ter coragem", contou ao JN, enquanto aguardava no adro o final da missa. "Eu também sou mãe e avó e por isso percebo o que eles estão a sofrer", frisou Maria de Lurdes.
Ermelinda Real também reside em Lisboa e passa férias anualmente na praia da Luz. Ficou fora da igreja, pois não percebe "nada de inglês". Também ela foi beijar Kate "na testa" e garantiu que a mãe da menina "estava muito comovida". "Disse-lhe para ter coragem a acreditar que a filha vai aparecer", explicou Ermelinda, admitindo que Kate "não deve ter percebido, pois não sabe português".
Tal como estas duas turistas, muitos outros, alguns de biquini e calção de banho, aguardaram durante uma hora, sob sol intenso, que a missa terminasse. Todos queriam ver de perto o casal McCann e por isso aguentaram.