Oporta-voz da Federação Internacional do Futebol Associado (FIFA), Andreas Herren, anunciou que vão ser proibidas mensagens ou símbolos religiosos nos campos de futebol, para não ofender os sentimentos de alguns espectadores. Esclareceu que essa norma "é o método mais simples para prevenir problemas no futebol".
A estrela brasileira de futebol Kaká, do Milan, costuma mostrar uma camisola onde se lê"I belong to Jesus" (pertenço a Jesus). Estamos habituados a ver vários jogadores a benzer-se quando entram em campo ou a levantar os olhos ao céu para agradecer os golos que marcam. Com a norma da FIFA, os jogadores deverão esconder crucifixos ou outros símbolos religiosos, para evitar sanções que poderão ser extensivas às suas equipas.
A FIFA, estranhamente, revela um laicismo espúrio, ofendendo a liberdade religiosa e sendo conivente com a intolerância de supostos espectadores escandalizados com a manifestação de religiosidade ou de devoção dos jogadores. É uma cedência à intolerância, que se sobrepõe à luta que a FIFA deveria fazer como pioneira contra a violência e a corrupção no mundo do futebol. E não se diga que esses males se devem à cultura religiosa de alguns jogadores e que, ao benzer-se, provocam agressividades nos adeptos.
Os campos de futebol são, muitas vezes, terrenos abonados para a violência, mas, que se saiba, jamais isso aconteceu por razões religiosas. Quando a Juventus e o Liverpool disputaram, em 29 de Maio de 1985, a Taça Europeia, em Bruxelas, onde morreram 39 pessoas, nem por isso a FIFA proibiu as bandeiras das claques ou as suas mensagens mais agressivas. Quando aconteceu a "guerra do futebol" entre Honduras e El Salvador, em 1969, com a morte de centenas de pessoas, ninguém proibiu a exclusão de símbolos nacionais nos jogos internacionais.
Os rituais religiosos ou devocionais dos jogadores podem ser, nalguns casos, mais de superstição do que de fé, mas virá algum mal ao mundo quando agradecem ao alto as suas vitórias?
Ninguém diria que o lema da FIFA se traduz assim "For the good of the game" (para o bem do jogo)!
Futebol perde
religiosidade
Símbolo é aquilo que une e diabo aquilo que divide
A violência não está nos símbolos que se exibem nos campos de futebol, mas no coração das pessoas. Símbolo é aquilo que une, como confirma a etimologia da palavra, em contraposição à palavra diabo que é aquilo que divide. Nos campos de futebol, se o diabo da violência ou da corrupção anda à solta, não é por causa dos símbolos religiosos, mas, se calhar, devido ao fanatismo de quem, como agora a FIFA, prefere a intolerância à liberdade. A mentalidade secularista e laicista não pára de surpreender no seu dogmatismo jacobino. E até já chegou aos campos de futebol, fugindo dos símbolos religiosos como o diabo da cruz!