OPapa Bento XVI apelou, ontem, a que se encontrem soluções "que salvaguardem o bem e a paz" no Tibete, Médio Oriente, Iraque, Líbano e algumas zonas de África. Durante a missa de domingo de Ressurreição, na Praça de S. Pedro, o Pontífice dirigiu a sua mensagem pascal debaixo de uma forte chuva, apelando à paz no Tibete (ver mais noticiário na página 38) e no "martirizado" Médio Oriente, especialmente na Terra Santa.
Bento XVI também referiu o Iraque, o Líbano e algumas zonas africanas, como a região sul do Darfur e da Somália, como locais onde se deverá neste momento salvaguardar a paz. Numa praça cheia de flores e com milhares de fiéis - a quem recordou que "não deverão deixar de pensar" naqueles lugares em conflito - o Santo Padre desejou que a "a força do renascimento do mistério pascal" se manifestasse em todas as parets do Mundo. Seguidamente, o chefe da Igreja Católica apresentou os seus votos de boas festas em 63 línguas.
A Páscoa no Mundo
Antes das palavras do Pontífice em Roma, Itália, milhares de cristãos, católicos e protestantes, celebraram com fervor a ressureição de Cristo em Jerusalém. As celebrações repetiram-se por todo o Mundo.
No Sudão, por exemplo, onde a minoria cristã continua a ser descriminada, dezenas de milhares de sudaneses juntaram-se em Cartum. "Celebrar a Páscoa é também reflectir o sofrimento da nossa comunidade", disse o responsável pela catedral dos Santos de Cartum, Sylvestre Thomas.
Na Rússia, também milhares de católicos - uma minoria numa realidade maioritariamente ortodoxa - celebraram Páscoa na Catedral da Imaculada Concepção, em Moscovo. Durante a cerimónia, o patriarca que a presidia dirigiu votos de saúde e força ao Papa Bento XVI.
Já na Coreia de Sul, vinte mil crentes de diversas igrejas cristãs, reuniram-se para celebrar a ressureição de Cristo. Finalmente, na China, foi celebrada - numa região onde o budismo é a religião mais praticada - uma missa para cem cristãos.
Um pouco por todo o mundo a ressureição de cristo foi celebrada. Em Portugal, durante uma celebração pascal, o cardeal patriarca de Lisboa considerou que a noção de pecado incutiu no Homem "o medo de morrer", alterando "a própria compreensão" da existência, com a morte a aparecer "como a negação da vida".
"A morte é um processo biológico normal e inevitável, que atinge toda a criação. As consequências do pecado fizeram-se sentir na dimensão psicológica e espiritual da morte, ou seja, na maneira de viver a morte", disse D. José Policarpo , acrescentando que "a morte e ressurreição de Cristo, porque liberta o homem do pecado, redime a morte do seu sentido dramático de fim, e volta a dar-lhe o sentido da passagem para uma vida definitiva".
* Com agências