A entrega de três irmãos de Santo Tirso a uma família de acolhimento de Santiago da Carreira, naquele concelho, é questionada por psicólogos do Centro de Saúde que, num relatório a que o JN teve acesso, chegam, mesmo, a sugerir a "reavaliação" daquela opção ou que "sejam equacionadas outras medidas" em relação aos menores.
As crianças - duas gémeas de 13 anos e um rapaz de 10 - foram retiradas à mãe, Rosa Barbosa, em Março de 2007 pela Segurança Social que, dois meses antes, lhe havia cancelado o Rendimento Social de Inserção (ler peça ao lado). A instituição justificaria a decisão alegando que a mulher não tinha como sustentar os filhos.
"Cortaram-me o rendimento mínimo e, depois, tiraram-me os menores porque não tinha condições para os ter". Rosa, 39 anos marcados por um passado de negligência familiar e violência conjugal, revê a corrida angustiada da filha no instante em que soube que iria ter outra família. "Uma técnica [da Segurança Social de Santo Tirso] tirou-me as crianças no tribunal. Disse friamente na cara da menina que ela não ia ficar mais comigo. E foram buscar o mais novo à escola. Nem me deixaram despedir dele".
Família insulta a mãe
A mulher, que actualmente reside na Trofa, vive apertos económicos desde que não recebe os 700 euros mensais, mas garante que os três filhos não estavam em risco. Luta agora para reavê- -los, por considerar que não se encontram bem.
Alegadamente, a família de acolhimento insulta a progenitora perante as crianças. "Há um mês, uma gémea vinha a chorar", narra Rosa, explicando que a menina contou terem-lhe dito "Estás a ficar malcriada como a estúpida da tua mãe". Um relatório de psicologia clínica do Centro de Saúde de Santo Tirso relativo à irmã reforça a narrativa: "Percebemos que são realizados comentários depreciativos e pejorativos em relação à figura materna". Contactada pelo JN, a família de acolhimento negou, afirmando ser "tudo mentira" e recusando mais declarações.
"Os miúdos estão a ficar saturados. Dizem que não querem estar ali e que, se eu não fizer nada para tirá-los, fogem", conta a mãe, que convive com as crianças apenas ao domingo.
No documento citado, a que o JN teve acesso, os psicólogos "sugerem" que "a família de acolhimento seja reavaliada".
Rosa aflige-se. Além dos "elos rompidos" que colecciona na coluna, um cancro levou-lhe o útero e um ovário. Impedida de laborar - enquanto pôde, trabalhou em confecção -, governa- -se com "a ajuda de pessoas" e 130 euros da pensão de alimentos. "Eles querem que eu desista dos meus filhos, mas nunca hei-de desistir", jura a mulher.
O JN entrou em contacto com a técnica da Segurança Social de Santo Tirso que seguiu o caso, que não quis prestar declarações remetendo a questão para o Centro Distrital, no Porto.
Aí, todos os contactos revelaram-se infrutíferos.