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Luís Portela, Médico e administrador de empresas

Nos últimos anos os órgãos de comunicação têm-nos dado notícia de situações de indisciplina e de agressões dentro das salas de aula de estabelecimentos do ensino secundário, filmadas por alunos que colocam as imagens em sites de partilha de vídeos on-line. Desta vez foi um aluno do 9º C da Escola Secundária Carolina Michäelis que colocou no You Tube, sob o título acima, imagens de uma professora a ser desrespeitada e agredida por uma aluna, em plena sala de aula, com o envolvimento conivente de alguns outros colegas.

As imagens foram colocadas no site no dia seguinte ao episódio. Os órgãos dirigentes da escola terão tomado conhecimento do assunto pela respectiva Direcção Regional de Educação. A professora só oito dias depois do acontecimento o participou.

Pela mesma altura, um aluno que em Maio do ano passado, foi filmado por um colega a dar um murro à professora, também dentro da sala de aula de uma escola do Alabama nos EUA, foi condenado a três anos de prisão. Vamos ver o que acontece agora à aluna agressora da Escola Secundária Carolina Michäelis. À aluna, aos seus encarregados de educação, à professora e aos órgãos dirigentes da escola.

Claro que a aluna merece ser punida e apoiada a título exemplar. Mas poderá ser esquecida a responsabilidade dos pais que não educam os filhos de modo a não terem comportamentos deste tipo? Não deveriam ser obrigados a fazer formação que os ajudasse a melhor cumprirem os seus deveres de encarregados de educação?

O aluno que filmou e divulgou a cena, com o despropositado título acima, não deverá também ser punido e apoiado? E os outros alunos que são mostrados a gozarem os acontecimentos e a proferirem frases como "isto é de mais, ouve lá!" ou "olha que a velha vai cair" não deverão também ser alvo de admoestação e formação?

E a professora que não se sabe impor dentro da sala de aula e que apenas participa um episódio desta gravidade oito dias depois, quando ele já é do conhecimento público, não deverá ser reavaliada e submetida a acção de formação apropriada? Resta o Conselho Executivo da escola que permite (ou não) este estado de coisas no ambiente escolar. Vamos ver como ele resolve esta situação e como cria condições para que ela não se possa mais repetir.

Talvez por tudo isto se compreenda a necessidade da reforma na Educação em Portugal. A necessidade de os professores serem formados e avaliados no seu trabalho, de forma a conseguir-se uma maior competência técnica e disciplinar de quem tem que cumprir a função de educar e, ao mesmo tempo, suprir as deficiências dos encarregados de educação.

É natural que uma classe que tem vivido sem grande controlo da sua actividade, num clima de algum facilitismo, reaja emocionalmente à tentativa de aumento da responsabilização e melhoria, pelo método de avaliação, que o Ministério da Educação tem tentado implementar. Independentemente de alguns erros metodológicos que possam ter sido cometidos pelo Ministério, parece muito importante e urgente implementar a reforma e conseguir melhorar o ambiente e a disciplina escolares, de modo a que os nossos jovens possam aprender a serem homens e mulheres correctos e responsáveis e profissionais competentes e dedicados.

Luís Portela escreve no JN, quinzenalmente, às quartas-feiras

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