Nasceu como jogador no Vasco da Gama, uma das escolas com tradição no basquetebol. Após uma carreira notável no F. C. Porto, regressou ao Vasco. Aí arrumou as botas e passou para o banco. Primeiro nos juniores B, depois nos seniores. Em 2006, assinou pelo Guimarães, onde, logo na estreia, conquistou Proliga. Aos 39 anos e ao oitavo ano como treinador, Fernando Sá levanta a sua primeira Taça de Portugal.
Menos de 24 horas após ter conquistado de forma brilhante a Taça de Portugal, Fernando Sá falou ao JN sobre o primeiro grande título da sua carreira. O futuro, o basquetebol português e o F. C. Porto não podiam também ser esquecidos. Fernando Sá, apontado como o próximo Mourinho do basquetebol português, em discurso directo.
JN|6 de Abril de 2008. É o dia mais feliz da sua vida?
Fernando Sá|Enquanto treinador, sem dúvida. Foi o concretizar de um sonho. Sentíamos que só tínhamos a obrigação de estar nas meias-finais, mas as coisas foram ficando cada vez mais consistentes, a motivação dos jogadores foi aumentando…
Durante a viagem para Elvas pensou alguma vez que poderia regressar com a Taça?
Só em sonhos. Só comecei a acreditar no jogo com a Ovarense. Eu e os jogadores. Mais ninguém. Todos os "feedback" que nos apareciam eram"parabéns, o que vier a seguir é bom", e eu tentei transmitir aos jogadores que não era bom. O que era bom era ganharmos a Taça de Portugal.
Sentiu que o Guimarães foi menosprezado na prova?
Penso que houve algum relaxamento na preparação dos jogos. É evidente que o F. C. Porto e a Ovarense pensavam que iam jogar a final entre si. Isso tem consequências que se pagam caro. Isso sobressaiu com a Ovarense, que começou convencida de que mais cedo ou mais tarde ia resolver o jogo. Contra o F. C. Porto não achei tanto isso, porque estava em jogo uma Taça de Portugal.
Esta Taça tem um sabor especial por ter sido consquistada ao clube onde fez carreira?
Primeiro, tem um sabor especial por ser a Taça de Portugal. Por ser com o F. C. Porto, também, porque continuo a ter lá uma série de pessoas de quem gosto muito e com quem convivi durante 12 anos.
No ano de estreia, conquistou a Proliga ao tricampeão Sampaense e agora a Taça. Isso não acontece a todos….
Não, e este ano está a acontecer outra vez. As coisas estão a acontecer muito mais depressa do que esperava. Não acreditava que ia ser campeão logo no primeiro ano. Isto tem muito a ver com o acreditar, com a motivação. Mas o grande mérito é dos jogadores. Quando começam a achar que ser campeão nacional é algo único na vida deles, e que só se consegue com solidariedade e espírito de equipa, as coisas tornam--se mais fáceis.
A forma como utiliza a psicologia no seu trabalho faz lembrar José Mourinho. Sente-se o próximo Mourinho do basquetebol português?
Não, as modalidades são completamente diferentes. Em termos de motivação, tal como ele, sei que conquistamos o jogador pelo respeito reconhecido e não imposto.
Até onde pode ir como treinador?
Gostava de ir longe. Agora, há algumas limitações e eu sou uma pessoa que gosta de estabilidade. A situação de ser profissional, de andar pelo país, não me agrada.
E se surgir um convite de uma equipa da Liga Profissional?
A minha prioridade é ser professor de Educação Física, porque não vejo estabilidade no desporto nacional para optar por outra coisa. Se puder conciliar as duas coisas, poderei avaliar a situação.
Treinar o F. C. Porto é um objectivo e um sonho?
Quando assumimos um papel de treinador, temos de estar abertos a todas as propostas. Mas o F. C. Porto tem treinador neste momento.