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Matou à queima-roupa antigo chefe

Teresa Costa

Um bombeiro de 29 anos, José M., residente em S. Pedro do Sul, foi ontem à loja da Moviflor, na Avenida da Bélgica, em Viseu, onde já trabalhou, e disparou um tiro de caçadeira sobre o seu antigo gerente e actual supervisor do estabelecimento. À queima-roupa. Atingido no lado esquerdo do abdómen, perto do coração, José Manuel, de 34 anos, ainda foi transportado com vida ao Hospital de S. Teotónio. Não resistiu. Acabaria por morrer, algum tempo depois, na sala de operações.

O alegado ajuste de contas com o chefe da loja de onde foi despedido, depois de ter sofrido um acidente de trabalho há cerca de dois anos, é apontado como a causa provável para o tresloucado acto cometido pelo ex-empregado de armazém.

O mesmo objectivo de vingança terá levado o agressor, consumado o primeiro crime, a meter-se no "Seat Ibiza" que tinha estacionado junto à Moviflor e a deslocar-se para outra loja, neste caso a Açoreana Seguros, na Rua Azeredo Perdigão, já no centro da cidade. Pretendia, junto daquela seguradora, obter uma indemnização do acidente que reputava ter ocorrido em período de trabalho, há cerca de dois anos, e onde destruiu o seu carro e sofreu ferimentos graves.

Chegou de arma em punho, segundo relatos na primeira pessoa de quem esteve lá dentro, e ameaçou de morte a meia dúzia de funcionários em serviço. Valeu a presença de um mediador da seguradora, de 62 anos, professor aposentado [ver caixa], que de forma destemida conseguiu evitar uma tragédia de maiores proporções na cidade de Viseu. Mesmo assim, a luta corpo-corpo travada entre o agressor e o mediador, provocou ferimentos neste que o obrigaram a receber tratamento hospitalar.

O JN apurou que José M. que tem vindo a receber tratamento médico a cargo daquela seguradora, andaria revoltado pelo alegado impasse na resolução do seu problema.

"Ele queria ser indemnizado e reintegrado na empresa de onde foi despedido com justa causa, há algum tempo, por alegadamente andar sempre de baixa e não apresentar os documentos médicos comprovativos", disse ao JN um antigo colega de trabalho. A empresa não prestou declarações.

Deprimido e em constante sofrimento físico, José M. começou a isolar-se. Nem ao bombeiros de Salvação Pública de S. Pedro do Sul ia já com frequência. "Andava muito em baixo. E quando vinha ao quartel, já não podia conduzir. Ia apenas para o telefone registar chamadas. Mas não podia ficar muito tempo sentado devido às dores que o apoquentavam", reconhece o comandante da corporação António Almeida.

A viver em Massarocas, o alegado homicida passava muito tempo sozinho. "Os pais têm um café, na vila, e costumam dormir por lá. Ele fica sozinho", informou um habitante da vila. Ontem, após ter pegado na caçadeira de dois canos, propriedade do pai, o bombeiro dirigiu-se a Viseu para presumivelmente fazer justiça pelas próprias mãos.

Após o crime, PSP, GNR e PJ moveram uma verdadeira caça ao homem, sobretudo em Viseu e S. Pedro do Sul, sem sucesso. Ontem, à hora do fecho desta edição, prosseguiam as buscas para o localizar e deter.

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