O presidente da Câmara do Porto foi ouvido ontem no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), tendo sido constituído arguido num processo interposto por um arrumador. Carlos Moreira, 53 anos, não gostou de ver a sua fotografia publicada na revista oficial da Autarquia, inserida numa peça sobre a extinção do programa Porto Feliz. A foto foi tirada sem autorização e, segundo o queixoso, conotando-o com a toxicodependência.
"Hoje fui constituído arguido por ter saído uma fotografia, na revista da Câmara Municipal do Porto, de um arrumador que, por sinal, está com o chapéu enterrado na cabeça até ao nariz e nem se reconhece quem possa ser", disse Rui Rio, à saída do DIAP, citado pela Lusa. "Se aqui há algum crime, de facto, o responsável sou eu, estou aqui para assumir as responsabilidades. É preciso aferir se é crime publicar uma fotografia sobre arrumadores, em que aparece um, entre outros, com o chapéu enterrado até ao nariz", insistiu o autarca. Em causa estará um processo de difamação e de fotografia ilícita. Rio fica sujeito à medida de coacção mais leve termo de identidade e residência. O autarca também esteve no DIAP por causa de um processo que moveu contra o Semanário Económico, mas acabou por não ser ouvido neste caso.
Matrícula tapada
Na foto em causa (uma das cinco que ilustra a peça), aparece apenas Carlos Moreira, tendo havido a preocupação de tapar a matrícula do automóvel cujo condutor (que não é visível) está a falar com o arrumador. Carlos Moreira assegura que está perfeitamente identificado e que chegou mesmo a ser "insultado" por causa daquela imagem. "Houve pessoas que me diziam que a moeda era para a droga", contou, ao JN.
A fotografia, assim como as edições anteriores da revista Porto Sempre, continuavam, ontem, disponíveis no site da Câmara.
No DIAP, Rio terá explicado que a revista tem um corpo redactorial, mas que, em última instância, a responsabilidade é sua. "De facto, sou o responsável pela publicação dessa fotografia, na qualidade de presidente da Câmara", confirmou Rui Rio, à saída do DIAP. O autarca assume a direcção da revista oficial da Autarquia, cuja coordenação editorial é da assessora de Imprensa da Câmara. Florbela Guedes e o fotógrafo que fez a imagem também poderão ser responsabilizado no processo.
Segundo apurámos, o queixoso pede uma indemnização de centenas de milhares de euros. Uma soma que terá em conta os 150 mil exemplares da revista, distribuída gratuitamente.
Carlos Moreira já foi ouvido no DIAP em Janeiro. Em 2007, quando viu a foto na revista, dirigiu-se à PSP e, em seguida, formalizou a queixa no DIAP. Pediu apoio judicial, tendo-lhe sido nomeado um advogado.