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Médicos dizem que Esmeralda piorou

Helena Silva

Esmeralda está pior. O seu estado psíquico agravou-se e a menor sofre, de novo, "de ansiedade da separação com sintomatologia depressiva". É esta a opinião da equipa de pedopsiquiatras de Coimbra que, nos últimos meses, tem acompanhado a menina da Sertã, cuja guarda é disputada nos tribunais. Os médicos consideram, ainda, que Baltasar Nunes - pai da menor e a quem foi atribuída a sua guarda - não reúne condições para que lhe seja entregue a filha.

O relatório dos médicos surge na véspera de uma nova conferência entre as partes, agendada para esta manhã, no Tribunal de Torres Novas, e que tinha como objectivo definir a forma de entrega de Esmeralda, ainda este mês, a Baltasar. O parecer dos pedopsiquiatras poderá ditar mudanças na decisão judicial.

Mostrando-se preocupada com o ambiente e as condições que Baltasar pensa proporcionar à filha, a equipa médica diz ainda ter ficado convencida de que o progenitor "não revelou ter um interesse genuíno" pela menor e que "não parece ter capacidades para despertar o afecto da criança". Os médicos analisaram, ao pormenor, a postura do pai, tecendo até considerações sobre a forma como apareceu vestido nos encontros.

Já sobre a mãe, Aidida Porto, consideram que revelou "capacidades interactivas e afectivas de desempenho materno", dizendo que se vê "uma reciprocidade afectiva" entre ela e a filha.

Os médicos voltam ainda a chamar a atenção para a ligação entre Esmeralda e Luís Gomes e Adelina Lagarto que são "reconhecidos pela criança como verdadeiros pais". E advertem para o perigo da entrega compulsiva da menor a Baltasar.

"A aproximação abrupta e intensa da menina ao pai biológico, com vista a uma próxima entrega compulsiva, é factor causal de patologia e tem um efeito paradoxal em termos afectivos", concluem. "Aparentemente, tudo parecia estar a correr bem, não fora o facto de Esmeralda ter estabelecido uma relação com Baltasar meramente funcional e mecânica, em muito fruto dum treino orientado pelas técnicas do IRS", diz ainda o relatório.

Para Luís Gomes, o parecer dos médicos é um sinal claro de que "a entrega da menina, nesta altura, não pode ser efectuada". Por isso, espera que na reunião de hoje, na qual será acompanhado pela advogada Inês Carvalho Sá (da equipa de Pinto de Abreu), o Tribunal "decida a favor da menor".

Tomás de Albuquerque, advogado de Aidida Porto, partilha da opinião, defendendo que o relatório médico tem de ser levado em consideração na decisão judicial.

Luísa Calhaz, advogada de Baltasar, não quis tecer comentários.

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