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Médicos associados querem proteger profissionais da voz

Reis Pinto

"Queremos criar uma subespecialidade médica exclusivamente virada para as artes do espectáculo, tal como existe a Medicina Desportiva. E ela abrangerá profissionais de todas as áreas, do canto, à música, passando pelo teatro ou profissionais da Comunicação Social", revelou, ontem, em Matosinhos, Pais Clemente, otorrinolaringologista e fundador da Associação Portuguesa de Medicina e Artes do Espectáculo (APMAE).

A primeira iniciativa da associação, coincidindo com o Dia Mundial da Voz, foi a realização das primeiras Jornadas de Medicina e Artes do Espectáculo, que decorreram na Câmara de Matosinhos. Juntando médicos de diversas áreas, como a Otorrinolaringologia, Estomatologia, Cirurgia Plástica, Psicologia ou Ortopedia, entre outras, a associação quer apostar na prevenção.

Sem margem de erro

O objectivo da APMAE é motivar os profissionais, sejam artistas, docentes ou médicos para uma área nova, que congregará todos os interessados. "Sem perder de vista a investigação, queremos criar uma rede de especialistas nesta área e propor à Ordem dos Médicos a criação de uma subespecialidade clínica", sublinhou, por seu lado, José Amarante, presidente da APMAE e director do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital de S. João, no Porto.

Reconhecendo que os profissionais da voz estão sujeitos a um elevado stress, "pois não têm espaço para erros, nem segunda hipótese", José Amarante recordou o debate televisivo, nas últimas eleições legislativas, em que o líder do Partido Comunista, Jerónimo de Sousa, perdeu a voz. "O momento era irrepetível e o mesmo pode acontecer a um actor ou a um cantor", disse.

Mas há outras patologias que podem desenvolver-se no mundo do espectáculo, como sejam problemas nos maxilares, em trompetistas ou saxofonistas, ou tendinites, em pianistas.

Não ao tabaco

Pais Clemente, que durante alguns anos presidiu ao Conselho de Prevenção do Tabagismo, lembrou que, para os profissionais da voz, "o inimigo número um é o tabaco". "Daí eu apoiar todas as medida para prevenir o tabagismo passivo. A APMAE surgiu também da necessidade de aplicar a medicina preventiva a quem depende da voz", afirmou, declarando depois "Vamos criar um corpo de clínicos conceituados, que poderão estar operacionais 24 horas por dia", sublinhou aquele especialista.

Nas jornadas de ontem, foram analisados temas como a "Prevenção e a reabilitação vocal", os "Riscos profissionais, prevenção e tratamento" e o "Corpo em movimento e problemas associados".

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