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Federação tinha só duas regras para nomear árbitros

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) explicou oficialmente ao Tribunal de Gondomar, onde se julga o Apito Dourado, que, na época 2003/04, só tinha duas regras para nomeação de árbitros na 2.ª e 3.ª categorias só poderiam ser indicados para um jogo do mesmo clube com um intervalo mínimo de 90 dias e, para jogos de clubes de diferentes associações regionais, não poderiam ser nomeados árbitros pertencentes a qualquer uma dessas associações. Esta resposta foi dada na sequência de um pedido do juiz-presidente, António Carneiro da Silva.

Em causa, segundo o magistrado, está o facto de Pinto de Sousa (ex-líder do Conselho de Arbitragem da FPF) e outros suspeitos de crimes de corrupção passiva serem acusados de violar os seus deveres na nomeação de árbitros e, paradoxalmente, essas regras não estarem descritas no processo.

Com este esclarecimento oficial da FPF - que não refere proibição de interferências de dirigentes de clubes... - aparentemente os arguidos terão cumprido as regras. Mas é possível que o tribunal observe outros eventuais deveres, designadamente normas de conduta aplicáveis a funcionários públicos equiparados.

Na 35.ª sessão do julgamento, entre várias testemunhas, foi ouvido o presidente do Pedras Rubras, um dos clubes que figurariam como lesados mediante o alegado favorecimento dos árbitros ao Gondomar SC. Porém, sobre o polémico penálti do jogo arbitrado por Pedro Sanhudo, Sousa e Silva não partilhou das dúvidas do Ministério Público. "Se calhar", antes desse lance, "deixou por marcar uma grande penalidade" contra a equipa da Maia.

Mais surpreendente Sousa e Silva considerou "normal" a nomeação de árbitros contar com a interferência do Gondomar SC, mediante a indicação de três ou quatro nomes, "por ser candidato à subida", embora ele próprio não o fizesse, por "não ter acesso" a Pinto de Sousa e seus pares.

À semelhança de outros dirigentes de clubes, Sousa e Silva, médico e ex-administrador do Hospital de Gaia, disse ser "habitual" a oferta de prendas aos árbitros e não se escandalizou com a oferta de ouro por parte do Gondomar, atendendo ao facto de ser um produto da terra. "Ficaria muito desiludido se uma prenda no valor de 125 euros servisse para um árbitro alterar os seus critérios", sublinhou, reconhecendo a pergunta do procurador Gonçalo Silva, que o Pedras Rubras "não oferecia aviões", numa alusão à proximidade com o aeroporto.

O dia de ontem ficou também marcado pela apresentação de um documento de louvor do Dragões Sandinenses em relação ao árbitro António Eustáquio, num jogo em que a equipa perdeu por 5-0. Ficou a dúvida sobre se o documento, com erros ortográficos e com aspas em várias expressões, é ou não irónico. Nuno Miguel Maia

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