Loucura na chegada dos jogadores portugueses ao quartel-general da Selecção, o Hotel Montebelo, em Viseu. O povo gritou por Portugal, vibrou com os craques, pediu-lhes o título europeu, mas não viu Pepe, que apenas amanhã à noite integrará o estágio. O defesa teve de acompanhar a comitiva do Real Madrid numa viagem a Riade, capital da Arábia Saudita, onde, hoje, o campeão espanhol disputa um particular de homenagem ao jogador Majed Abdullah. A lei está do lado dos merengues, uma vez que os clubes estão autorizados a reter os jogadores até dia 25. Mas Felipão promete, no futuro, retaliar. O estágio abriu com muita alegria, confiança e... um conflito diplomático.
A equipa das quinas começa hoje a preparar o Euro 2008, com a realização de testes médicos e os dois primeiros dois treinos. Ontem, os jogadores foram recebidos em clima de apoteose, por mais de um milhar de adeptos, que pintaram de verde e vermelho as cercanias do Hotel Montebelo. O guarda-redes Ricardo foi o primeiro a chegar, ainda antes das 17 horas. A mais duas horas, portanto, do limite estabelecido pela Federação, dando o pontapé de saída no desfile. Os quatro jogadores que participarão, amanhã, na final da Liga dos Campeões - Cristiano Ronaldo, Nani, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira -, apenas se apresentam sexta-feira. Até aqui, tudo bem. Estava previsto. O mesmo não se aplica a Pepe. Terminada a época em Espanha, o luso-brasileiro desejava juntar-se rapidamente ao estágio, mas o Real Madrid não autorizou. Uma decisão que surpreendeu a própria Federação Portuguesa de Futebol (FPF), embora, ao abrigo das normas internacionais, os atletas podem ser retidos pelos clubes até dia 25.
Felipão não gostou da intransigência espanhola, ainda que admita que a FPF "nada pode fazer". "Pedimos ao Real Madrid para dispensar o jogador, mas preferiram levá-lo para uma viagem e um encontro amigável. Pronto, o mundo não pára. No passado, fomos compreensivos com o Real Madrid e as coisas podem acontecer para um lado ou para o outro. O Real Madrid diz que tem a lei do seu lado. No futuro podemos ser nós a aplicar essa mesma lei a nosso favor", disse o Scolari, em declarações à TVI.
O seleccionador nacional entrou no hotel logo a seguir a Ricardo, mas não passou pela zona destinada aos jornalistas, ao contrário da generalidade dos atletas. O mais recente reforço do Chelsea, Bosingwa, também escapou às perguntas, tal como Petit, Miguel, Veloso e Bruno Alves. De resto, todos se colocaram a jeito dos microfones, com um discurso de ambição... contida. Quim prometeu discutir a titularidade com Ricardo, enquanto Nuno Gomes desmistificou a questão da suposta ineficácia dos pontas-de-lança "Desde que o Eusébio deixou de jogar futebol que se ouve falar disso", disse, afastando os fantasmas, em harmonia com a fé dos adeptos, que, cá fora, se faziam ouvir, pedindo o título europeu aos jogadores.