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Jornalismo jovem, feminino e qualificado 

DINA MARGATO

Para entender bem as notícias será preciso mergulhar no universo de quem as faz? A sociologia do jornalismo defende que sim. E através de vários estudos traça-lhe o perfil. Jovem, feminino e com qualificação são características fundamentais.

Para Isabel Salim, "a profissão de jornalista em Portugal vive um processo de 'juvenilização'. 'feminização' e ' qualificação', sendo cada vez maior o número de profissionais com formação académica de nível superior". De 2002 a 2006, ingressaram 58,2% de mulheres na profissão, segundo os dados da Comissão da Carteira.

O estudo "A 'feminização' do jornalismo em Portugal", publicado no último número da revista Trajectos, aponta ainda que o facto de as mulheres serem cada vez mais numerosas na profissão não significa que estejam igual destaque nas posições de chefia.

A ter em conta as estatísticas mais recentes sobre a idade dominantes entre os jornalistas, a classe é bastante jovem. Assim o revela José Luís Fernandes, igualmente em texto publicado na revista Trajectos. A faixa etária dominante tem entre 30 e 40 anos, e os seu aumento apresenta-se ascendente.

Também "o tempo de permanência na profissão tem vindo a ser reduzido", escreve o jornalista e docente do Cenjor (Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas). No quadro que apresenta é possível ver que os profissionais entre os 41 e os 55 anos são 26.8% e os que já ultrapassaram os 55 anos 12.2%. A saída em idade activa de muitos jornalistas deveu-se, segundo o investigador, à "pressão dos gestores da empresas, um processo que teve o seu apogeu na primeira metade da década de 2000 e que foi denominado como a 'limpeza da memória' das redacções".

O número de profissionais tem vindo sempre a crescer, acentuando-se esse aumento entre 1997 e 2004. No 25 de Abril de 1974, havia cerca de 700 jornalistas. Em 1997, 4247, em 2004, de acordo com os dados da carteira profissional, 7349, e em 2006, 7402, notando-se já aqui apenas um ligeira subida. Este crescimento, conclui ainda Luiz Fernandes, foi sustentado pela "feminização, rejuvenescimento e aumento do nível de escolaridade", valências já detectadas num estudo de 1988, assinado pelo sociólogo Paquete de Oliveira.

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