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Soraia está entre a vida e a morte

Condutor que a atropelou sob efeito de droga

NATACHA PALMA E SALOMÃO RODRIGUES

Sérgio Vinheiras estava ainda em casa quando o telefone tocou. Ficou estarrecido: a irmã Soraia, em estado de coma desde sexta-feira à noite, no Hospital de S. João, no Porto, entrou em morte cerebral.

Aconteceu por volta da hora do almoço. "Apesar da aparência forte, ela é muito frágil", conta, com lágrimas nos olhos. A menina de 13 anos sofreu danos cránio-encefálicos irreversíveis, naquela noite, quando ia praticar karaoke num café em Paramos, Espinho, na companhia da irmã Marisa e três amigos e foram atropelados por um carro desgovernado, que subiu o passeio e apanhou o grupo.

Segundo um teste de despistagem realizado, na altura, ao condutor, foi-lhe diagnosticada uma substância psicotrópica no sangue, soube o JN junto de fonte policial. O homem, de 21 anos, irá, agora, realizar mais testes no Instituto de Medicina Legal, que irá determinar que tipo de droga tomou. Entretanto, corre um inquérito no Ministério Público de Espinho, que irá colminar num processo-crime.

Soraia Vinheiras foi quem mais sofreu. Marisa ficou com uma fractura num braço (e ficou internada no Hospital Santos Silva, em Gaia), enquanto Ivo e Vanessa sofreram algumas contusões. Fábio Fonseca, namorado de Marisa - que ainda viu o carro ir na sua direcção e tentou salvaguardar a vida dos amigos - ficou, apenas, com uns arranhões num braço. E uma longa história para contar. "Nós vinhamos no passeio e, quando nos preparávamos para atravessar na passadeira, ouvi carros vindos de Esmoriz, no picanço e a alta velocidade, e por isso empurrei todos para trás. Ao princípio só vi um Seat, no momento em que um monovolume Opel virava à esquerda. O Seat até soltava faíscas. O condutor do Opel parou já na faixa de rodagem e o Seat bateu-lhe. A seguir, veio um Volvo, que abalroou o Seat e seguiu em direcção ao passeio, onde estávamos, e nos abalroou", narrou, Fábio, ao JN. Ambos os condutores (do Seat e do Volvo) são conhecidos de vários elementos do grupo e um deles - o que ia ao volante do Volvo - nem sequer mora longe da casa (Bairro de Paramos) onde Rosário Ribeiro, mãe de Soraia, Marisa e Sérgio, vive com os três filhos. Aliás, o pai do condutor contou, ao JN, que o filho tem estado em casa "a rezar pela menina internada". José Pereira de Sousa disse, ainda, que a versão do filho é divergente da da testemunha Fábio Fonseca, que afirma que os condutores do Seat e do Volvo vinham em "picanço". "Ele diz que não vinha em corrida nem em grande velocidade e é nisso que quero acreditar", desabafou José Pereira de Sousa.

Ontem à tarde, a dor tomou conta do Bairro de Paramos, onde Soraia é tida como "uma menina muito conversadora". A vizinha e amiga Rosa Oliveira admira-a pela "capacidade em fazer amigos, não há quem não goste dela".

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