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Shopping no lugar de antiga fábrica de cordas

Projecto está em estudo pela Câmara mas já colhe contestação dos comerciantes

NATACHA PALMA

A antiga fábrica de cordas Corfi, de Espinho, poderá vir a dar lugar ao primeiro shopping do concelho. O projecto está ainda a ser analisado pela Câmara, mas já se ouvem vozes de contestação por parte de comerciantes.

A emblemática fábrica da família Violas, a mesma dos casinos Solverde, está localizada na Avenida 24. E, segundo o presidente da Câmara, José Mota, o projecto que está agora em cima da mesa contempla, para aquele local, um hipermercado, várias salas de cinema, uma praça da alimentação, um parque de estacionamento e a garantia da presença das mais importantes marcas.

José Mota, que confessa não ser "grande amante" de centros comerciais, preferindo, isso sim, fazer compras no comércio tradicional, explicou, porém, que a realidade é que as pessoas de Espinho gostam de ir aos shoppings. "Seja em que lugar for, seja Gaia, Porto, Maia ou até mesmo Lisboa". E este novo centro em estudo seria o primeiro da cidade.

O autarca admitiu mesmo, ao JN, que considera que o investimento poderá trazer benefícios para o comércio tradicional, "já que os comerciantes poderão, eles próprios, abrir loja no shopping e vender lá os seus produtos", como também fazer com que os jovens permaneçam em Espinho e até atrair novos moradores para o concelho.

"Eu contra mim falo. Há 10 anos não pensava assim, mas não posso ser imune à realidade e a realidade não tem de ser aquilo que eu acho mas aquilo que é", fez notar José Mota. "Hoje, não tenho qualquer dúvida de que um centro comercial de qualidade em Espinho será extremamente atractivo. Não há que tapar o sol com a peneira", acrescentou. Isto ao fim de muitos anos de uma política camarária que fazia crer à maioria ser completamente indiferente às seduções das grandes superfícies. A aparente mudança de opiniões não está, porém, a agradar a todos.

Num dia em que a cidade comemorou o seu 36º aniversário, o JN foi sentir o pulso de alguns comerciantes. E a maioria não se mostrou entusiasmada com a novidade.

José Serrano, um dos responsáveis da rede de lojas Iglésias, das mais tradicionais de Espinho, é o primeiro a criticar o "entusiasmo tardio" da Câmara. Isto "quando, nos últimos 12 anos, Espinho viu nascer, num raio de 20 quilómetros, nada mais, nada menos do que 15 centros comerciais".

"Vai ser uma catástrofe para Espinho. E vai ser a última machadada no comércio tradicional. Esta é uma terra pequena, não tem população suficiente para alimentar todo o comércio, muito menos havendo um shopping tão perto", salientou.

Se Luís Montenegro, do PSD, até considera que o investimento pode ter as suas vantagens, nomeadamente ao criar postos de trabalho, já Jorge Carvalho, da CDU, preocupa-se, sobretudo, com o facto de equipamentos de saúde (como o hospital e o centro de saúde) e um infantário, situados bem perto da Corfi, poderem ver-se, de repente, a braços com uma pressão e poluição fora do normal, dado o previsível aumento de movimento, acrescidos aos dias de feira, ali em frente.

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