Teatro Gil Vicente fechado há 20 anos
NUNO PASSOS
O Teatro Gil Vicente, em Barcelos, está fechado há quase duas décadas, sendo alvo de obras polémicas e sucessivas datas de reabertura. A autarquia responde que faltam acabamentos no imóvel de apoio e mobiliário.
Por outro lado, ainda não está definido o modelo de gestão ou a administração, que vão ser decididos pelo novo Executivo PS, que toma hoje posse, que reveza 33 anos de domínio PSD. "Infelizmente, serei eu a abrir o teatro. Vou estudar o dossiê e procurar que a obra acabe o mais rápido possível", disse o presidente, Miguel Costa Gomes.
Após o concurso de ideias com peritos a criticar o desrespeito do caderno de encargos pelo arquitecto vencedor, a autarquia lançou, em 2004, obras de 2,5 milhões, cofinanciadas pelo Governo de Durão Barroso e para um ano, mas que perduram. Aliás, em 2008 foram alvo da fase 2: mais 900 mil euros. O Ministério Público denunciou que a torre de palco (permite mudança rápida de cenários) viola o PDM em altura e estética, mas a Câmara já contestou. A oposição vinca que a reconfiguração global retirou muitas cadeiras, tornando pouco rentável a vinda de grandes artistas.
Em 1994, os donos do então edifício devoluto queriam vender as suas acções à Câmara, Reis alegou não ter dinheiro. Nesse ano, uma construtora de Braga comprou as acções por 60 mil contos (300 mil euros) e, meses depois, Reis comprou, com surpresa, o teatro por 150 mil contos (750 mil euros), "num prejuízo de 90 mil contos (450 mil euros)", frisou Luís Santos, do Bloco de Esquerda.
Notou que os 125 mil barcelenses "não têm uma sala de cultura", mas fervilham de público e projectos, como 50 bandas de garagem e 20 grupos teatrais, que podem ali ter "a sua sede" e alavancar a dinâmica artística da região. O PCP acha "vergonhoso" não se poder usufruir da valência e exige a abertura do concurso público para a sua gestão.
O projecto do multiusos centenário (1903) de fachada neoclássica prevê uma sala para cerca de 250 pessoas. O rés-do-chão ganha café-concerto e foyer, nos pisos 1 e 2 ficam os serviços e a direcção, o 3º andar destina-se a salas de ensaio e camarins, enquanto o imóvel de apoio tem salas de formação.
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