Banho de gente e de promessas na posse
NUNO PASSOS
Costa Nunes repetiu na tomada de posse as promessas feitas na campanha para a presidência da Câmara de Barcelos. Uma cerimónia marcada por uma multidão nunca vista, numa Assembleia Municipal, desde o 25 de Abril.
O novo presidente da Câmara de Barcelos, Miguel Costa Gomes, foi empossado anteontem à noite, naquele que terá sido o maior banho de gente desde o 25 de Abril numa sessão da Assembleia Municipal local. Após 33 anos de domínio PSD, o independente eleito pelo PS repetiu as promessas da campanha, deixando parte dos deputados a pensar onde haverá verba para tudo. O histórico ex-autarca Fernando Reis é que não veio, tendo 30 dias para assumir ou renunciar a vereador. Costa Araújo continua a presidir o colégio municipal, que se prevê hostil pois a maioria é social-democrata e o executivo pode ter aqui dificuldade a aprovar medidas.
Costa Gomes citou a grande bandeira eleitoral, "aumentaremos o rendimento das famílias e empresas com a redução drástica do preço da água e dos ramais", e honrou depois os presidentes de Junta. "Todos serão parceiros, independentemente da cor. Vamos dignificá-los, aumentar-lhes [triplicar] verbas e competências. A política de chapéu na mão acabou, jamais se fará uso disso", vincou.
Para uma maior proximidade assume o pelouro das Freguesias. No elenco do executivo, renunciou por razões profissionais o socialista Manuel Vilas Boas, líder do Agrupamento de Centros de Saúde Barcelos/Esposende, sendo revezado pelo advogado César Pires, mandatário da campanha rosa.
O novo presidente embalou de seguida - baixar IMI e outras licenças camarárias, criar programa de apoio financeiro a novas empresas de jovens, suspender a derrama, livros e material grátis no ensino obrigatório, lançar estágios profissionais, mais apoio social a alunos carenciados e bolsas no ensino superior, ajuda financeira a IPSS e associações, idosos com reformas até ao salário mínimo, na compra de medicamentos, pelo reembolso da comparticipação não paga do SNS.
"Queremos exceder as expectativas dos cidadãos, esperem nova forma de fazer política", realçou o ex-presidente da Associação Comercial e Industrial local. Acrescentou que a Assembleia Municipal "não pode ser anfiteatro da prepotência e protagonismos exacerbados". Costa Araújo responderia sem confrontos. "As vezes chega à opinião pública a parte menos positiva. Apesar das vozes discordantes, em 16 anos todas as decisões que tomei não foram feridas de ilegalidade".
A sua eleição recebeu 92 votos, contra 73 da proposta do PS, 5 da do CDS e oito votos brancos. Ou seja, nove votos "laranjas" não foram para ele.
No final, o vereador Félix Falcão, líder da concelhia daquele partido, vincou que irá "fazer oposição de forma construtiva e atenta ao cumprimento das promessas". Elementos da restante oposição disseram ser cedo para comentar, "é esperar para ver".
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