Críticas no regresso da exploração de caulino
NUNO PASSOS
Após a morte de um popular em 1989, que levou o Governo a parar a exploração de caulino em Barqueiros, Barcelos, a Mibal retomou os trabalhos. PSD diz ser ilegal, pois o protocolo está em tribunal e falta referendo popular.
A Mibal - Minas de Barqueiros iniciou, na manhã seguinte à tomada de posse do novo presidente de Câmara de Barcelos, os trabalhos preparatórios para explorar caulino no centro da freguesia de Barqueiros, onde se desencadeou a "guerra do caulino", na qual morreu há 20 anos um popular na luta e foi erigida uma estátua alusiva. O PSD está contra a intervenção, pois foi suspensa pelo Governo e o protocolo da empresa com a Junta foi impugnado no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga (TAFB), denunciou, ao JN, o dirigente "laranja" Carlos Casanova.
Em 1991, o Governo deu 50 mil contos à Mibal e aquela não explorava na Quinta de Prestar até se reunir condições políticas e "objectivas", isto é, aval popular. Fonte da Mibal considerou ao JN já haver condições, pois a Junta reeleita aceita os trabalhos em troca de contrapartidas, em nome da "paz social", enquanto a nova Câmara é da cor do Governo. O ex-líder da Assembleia de Freguesia (AF), César Pires, passou a vereador. Além disso, a Mibal "faz uma actividade crucial para o país".
Casanova reprovou: "São todos PS, é preciso dar voz aos cidadãos em vez de agir nas costas". Defendeu que a Junta faça referendo e sessões de esclarecimento. Sublinhou que pediu audiência à Câmara, sessão extraordinária da AF e apoio dos partidos, "todos são contra". A sua bancada quer levar o tema à Assembleia Municipal e prepara dossiês para confrontar a tutela e discutir-se o caso no Parlamento.
O autarca de Barqueiros, Agostinho Pires, já disse que a Mibal age legalmente, o presidente da Câmara, Miguel Costa Gomes, não questionou a negociação da Junta e actuará "pelo que o tribunal decidir, no respeito da lei", enquanto o promotor do Movimento Cívico de Barqueiros, Américo Silva, "desliga-se" com pesar da luta, face à notícia e ao resultado eleitoral. No TAFB, analisa-se desde 2007 o pedido de impugnação da AF onde se aprovou o protocolo, pois o edital não preveria votação, mas "discussão de assuntos relativos a caulinos".
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