Inspecção a prédio para desbloquear impasse
Obras no local da derrocada continuam suspensas
DENISA SOUSA
A Câmara de Braga promoveu uma nova inspecção aos prédios envolvidos na derrocada de 8 de Setembro, com o objectivo de concertar soluções. Qualquer desbloqueio passará pelo dono do prédio que ruiu.
Numa atitude aparentemente "conciliatória" entre as partes, a autarquia notificou a Autoridade para as Condições de Trabalho, o dono da obra do prédio em reconstrução e o proprietário do edifício que caiu, que se fizeram acompanhar pelos respectivos técnicos e advogados. A ideia era apurar as condições de segurança com vista a terminar o impasse e recomeçar as obras na Rua dos Chãos.
"Como é lógico, não queremos o prédio parado. Queremos que isto avance", sintetizou o vereador da Protecção Civil da Câmara, Carlos Malainho, que explicou que a vistoria visou sobretudo congregar opiniões para que o proprietário do chamado antigo Ateneu elabore um novo plano de segurança. "A obra não está embargada. Está apenas suspensa . Mas qualquer intervenção só avançará, se tivermos a certeza que ninguém correrá riscos", continuou.
"O plano anterior tornou-se desadequado depois da tragédia que vitimou três trabalhadores, pelo que precisa de uma alteração profunda", salvaguardou, agendando para amanhã a redacção do auto de vistoria, que será feito em conjunto por todos e validado pela autarquia.
Diferente entendimento tem o advogado da empresa de construção limiana, João Magalhães, para quem a solução está nas mãos do dono do prédio desmoronado que, apesar de não ter respondido a qualquer notificação camarária no último mês e meio, esteve presente no encontro colectivo de ontem, sem prestar declarações à Imprensa.
"Se ele não demolir e retomar o projecto de construção, ninguém pode mexer em coisa nenhuma. O nosso plano de segurança é o mesmo, nada se alterou. O prédio que desmoronou, sim, necessita de um plano de segurança o quanto antes", sublinhou ainda João Magalhães.
Recorde-se que, durante as obras de reconstrução no antigo Ateneu, o prédio do lado desmoronou, tirando a vida a três operários da empresa José Cândido Martins Armada e Filhos, Lda. Há várias investigações em paralelo para apurar responsabilidades.
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