Galiza em trânsito pelo Minho
Depois da experiência positiva no Porto, no ano passado, projecto sobe a terras minhotas
PEDRO VILA-CHÃ
Um projecto de intervenção cultural assente no conceito de intercâmbio cultural, com a Galiza e Portugal como alvo, sobe este sábado a vários palcos de Braga. Os promotores dizem que os "dois países" só têm a beneficiar cooperando.
Galiza em trânsito é um projecto cultural transversal que envolve poesia, teatro, encenações, pintura, fotografia e música. Muita música. Desde a tradicional à que permite construções visuais, a partir de ruptura e síntese de imagem em tempo real. Uma enorme manifestação cultural que convida à descoberta de laços culturais comuns entre os dois povos que até falam a mesma língua.
Nado em 2008, como projecto protagonizado pela biblioteca Anna Politkovskaya, da Gentalha do Pichel, Santiago de Compostela, o projecto Galiza em trânsito promoveu uma série de actividades no Porto, mais precisamente no Maus Hábitos. O objectivo principal era o de angariar financiamento que permitisse dotar a biblioteca de fundos em galego-português. O projecto deu brado e alargou o leque dos que se interessam pela causa de defesa da partilha do galaico-português e que, na Galiza, absorve estádios de exaltação regional.
Este ano, o Centro de Estudos Galegos, do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho (e a sua comunidade de leitores) agarrou pelo interesse da temática e lançou-se na organização de um evento que se insere na programação anual do centro, mas que visa abranger o legado da acção do ano passado, dando-lhe, não só, continuidade, como conferindo um aprofundamento da oferta cultural.
Inês Rodo Montes, do Centro de Estudos Galegos aponta a importância de dar continuidade ao projecto Galiza em trânsito, evidenciando os mesmos objectivos básicos: facilitar e fomentar a criação e o intercâmbio cultural e social.
Entre os participantes está a Gentalha do Pichel, um grupo de compostelanos "decididos a fazer activismo cultural" na sua cidade. "A língua e cultura galegas, a vontade de aprender, de difundir e recuperar os nossos costumes, a nossa história, a nossa música... são os nossos eixos de trabalho", destacam.
Luis González, produtor visual, também empenhado em produções promocionais e artísticos, leva AKA The Chemical Orange ao bar Insólito. O seu estilo caracteriza-se pelo uso de tácticas de síntese visual.
Outro projecto é The Homens que vão apresentar o seu primeiro disco que vai do extremismo melódico ao ruído espesso, do punk desatado aos arranjos delicados.
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