Presidente da Câmara vai cortar a fita em várias obras mas diz que não será campanha.
Autarca há 33 anos, Mesquita Machado anunciou que vai voltar a candidatar-se à Câmara de Braga. A campanha está toda afinada, assim como o número de corta-fitas: até às eleições, vai fazer mais de 100 inaugurações.
O anúncio da recandidatura pelo PS (ver texto na página 19) foi feito ontem, sem grandes surpresas. Assim como não causa estranheza, mesmo para a oposição, que o presidente da Câmara de Braga tenha previsto mais de cem inaugurações de obras de raiz, de melhoramentos e apreciações (visitas a obras) até às eleições autárquicas de 11 de Outubro.
Mesquita Machado cumprirá a campanha nas 62 freguesias, nomeadamente nas quatro dezenas que são PS, tendo os timings já sido tratados a nível da Comissão Política, soube o JN. Ainda assim, o adjunto do presidente nega que haja um calendário e contabilidade específicos. As várias obras incidem no âmbito de parcerias público-privadas, de fundos da UE e do bolo municipal, já que o autarca gosta de poupar nas despesas correntes para investir no capital, explicou uma fonte socialista.
Após a abertura com lágrimas do prolongamento do túnel da Avenida da Liberdade, a grande obra do mandato, segue-se o esperado corte-de-fita de mais de metade dos 38 campos desportivos adjudicados na parceria com a firma Arlindo Correia & Filhos.
Se cada freguesia for "visitada" pelo menos uma vez, sobe-se rapidamente a fasquia para a centena de eventos, havendo ainda 95 dias disponíveis, incluindo fins-de-semana. Aliás, só no sábado passado houve três inaugurações em Sequeira e, no domingo, Mesquita resumiu, em Parada de Tibães: "Sonhámos, quisemos, estamos a fazer e vamos fazer".
O autarca não deve tirar férias em Agosto, como é habitual. Nas bandeiras pré e além-autárquicas estão, entre outras, a renovação do parque da Ponte/Picoto, das Sete Fontes, de espaços verdes citadinos e do rio Este, no qual se vai aplicar 10 milhões de euros.
Os e-mails camarários também se têm intensificado, com referências quase diárias como "arranjo urbanístico" e "inauguração". O líder da oposição diz que a meta subliminar é Mesquita igualar ou superar os 40106 votos de 2005, até porque Ricardo Rio (PSD/PP/PPM) subiu, na altura, cerca de 20%, para 35027 votos. Mas o adjunto do presidente recusa de todo tais intenções. "A Câmara nunca se regeu por razões eleitorais. O que faltar, se não for agora, é para o ano. Disponibiliza-se o equipamento para usufruto público logo que a obra fica pronta. Basta ver a nova praça da Avenida da Liberdade: não se deixaram os taipais para depois mostrar uma grande obra. Foi-se inaugurando por grupos de canteiros", disse João Paulo Mesquita.
Já Ricardo Rio acusa que Mesquita "concentra as inaugurações nos pouco mais de dois meses antes das eleições, nalguns casos com a agravante de os equipamentos não terem condições ideais e o acto ter comes-e-bebes de abundância alheia à crise".
Já João Delgado, candidato pelo Bloco de Esquerda, afirma que se trata da "confissão de um mandato falhado, e agora faz-se inaugurações pelas freguesias atrás do prejuízo. Além disso, a Câmara está completamente endividada, devido à obra do estádio."
"É hábito, em Braga, sermos bombardeados à porta das autárquicas por um conjunto de acções que são deslocações encenadas e pura campanha, com direito a várias páginas num diário regional. Mostra algum desespero e dificuldade, um compromisso que não foi justo e leal", afirma Carlos Almeida, candidato do PCP.