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Cavalos turísticos em tempo de crise 

MAGALHAES COSTA

O negócio dos cavalos turísticos do Bom Jesus parece andar pelas ruas da amargura. Fala-se em "crise" de uma actividade com mais de dois séculos, agora limitada a cerca de 20 garranos e uma dezena de operadores.

É uma oferta turística com mais de dois séculos que parece ter entrado em crise. O negócio dos cavalos do Bom Jesus está pelas ruas da amargura. A culpa é atribuída à falta de clientela e, por outro lado, à "concorrência desleal", já que este património dos garranos cruzados é alimentado e disputado por gente que faz desta actividade de lazer um "pé de meia" ao sustento familiar.

José Pereira, de 73 anos, quase 30 no ramo dos cavalos, mostra-se "desiludido" com o negócio que, em sua opinião, "vai de mal a pior". Reformado, é um dos nove operadores ainda em actividade na estância do Bom Jesus, insurgindo-se contra a falta de condições desta oferta turística e, ainda, contra aqueles que rotulou de "oportunistas", que aparecem, nesta altura do Verão, devido à forte concentração de turistas e imigrantes.

José Pereira acaba por colocar o dedo na ferida, ou seja, a falta de fiscalização no negócio dos cavalos do Bom Jesus, que, maioritariamente, é feito por gente que se dedica à agricultura. As excepções são poucas, como é o caso de José Azevedo, funcionário público, para quem os cavalos "é um vício de juventude".

Dos cerca de 20 cavalos que operam nos passeios do Bom Jesus, tem três, dedicando-se somente a esta actividade aos fins de semana e durante os meses de Julho e Agosto.

Cada passeio a cavalo custa, em média, cinco euros, tabela que diz ser "muito barata", comparativamente aos custos de manutenção de um animal. "Olhe, só alimentar um cavalo custa sete euros por dia", observou. Já não chega à dezena o número de operadores, mas, aos fins de semana, são muitos os familiares e amigos a darem "uma ajudinha" no negócio.

O negócio dos cavalos enfrenta, por outro lado, o problema de falta de um estábulo adequado à actividade, já que os animais ficam retidos à margem da estrada, sem o mínimo de condições, quer de higiene quer de segurança, situação, de resto, nada abonatória para a imagem de qualidade do turismo religioso do Bom Jesus.

O assunto já é velho, mas, até ao momento, nada foi feito, apurando o JN que apenas a empresa municipal Agere procede, de dois em dois dias, à limpeza do local, junto ao lago da Mãe d´Água.

Quanto à criação de um estábulo para albergar os cavalos turísticos, a Confraria do Bom Jesus equaciona essa possibilidade, no âmbito do projecto de requalificação da estância turística.

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