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Capital da Cultura decide-se esta terça-feira

JOAQUIM FORTE

Os 27 ministros da Cultura da União Europeia deverão aprovar esta terça-feira a candidatura de Guimarães a Capital Europeia da Cultura 2012. Os agentes culturais da cidade encaram com grande expectativa o evento.

"A Capital Europeia da Cultura deve servir para converter Guimarães numa cidade criativa", defende Anabela Guimarães, programadora e gestora cultural.

Na opinião desta vimaranense, os agentes locais podem fazer toda a diferença. "Sem discutir o mérito e a capacidade da contratação de agentes, artistas e empresas já com provas dadas (indispensáveis para este tipo de eventos), a perspectiva dos artistas e programadores que cá vivem é diferente porque sentem a pulsação da cidade, têm uma multiplicidade de olhares, têm muito mais possibilidade de potenciar as energias criativas que a própria cidade já tem", argumenta.

Defende uma comunicação que sensibilize os habitantes locais, têm uma grande quota de responsabilidade no sucesso da CEC. "Ninguém quer que o acontecimento seja apenas para promover a cidade lá fora. A cultura tem também a função de unir, de vincular as pessoas à sua comunidade local".

Com um orçamento de 111 milhões de euros, o projecto pretende mudar certas zonas da cidade, como a de Couros, antigo quarteirão de curtumes, para onde está projectado o CampUrbis, uma parceria entre a Câmara e a Universidade do Minho que abrirá caminho à expansão do Campus universitário para o centro da cidade. Um pólo para o Museu de Alberto Sampaio e a Plataforma das Artes (possivelmente no antigo mercado municipal).

Carlos Mesquita, presidente do Cineclube, espera que a CEC permita a "produção cinematográfica ficcional ou documental sobre Guimarães, sem se confundir com a lógica de telenovela". O cinema, adianta, deve ocupar parte significativa do esforço da CEC. "Espero que 2012 seja o ponto partida para Guimarães ter um evento de cinema, ficção ou documental, e que seja um tempo de reflexão sobre o cinema europeu", refere.

Se dependesse do presidente do maior cineclube português, a CEC 2012 contaria com "um realizador consagrado" para projectar a cidade, o país e o cinema europeu (e esse realizador até podia ser norte-americano, caso de Woody Allen), defende Carlos Mesquita. "Se fosse eu a escolher, seria Werner Herzog", sublinha. Uma das propostas do Cineclube de Guimarães passa por criar na cidade uma estrutura museológica que contemple também a cultura cinematográfica. "Se o Porto não tiver uma Cinemateca, que venha para Guimarães".

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